domingo, 19 de julho de 2026
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Bruno Sindona

A grandeza sem voz

"O Oeste da Grande São Paulo já mostrou ao Brasil sua capacidade de produzir e de crescer. Falta apenas que essa mesma energia encontre espaço também na política, para que a grandeza que carregamos não siga invisível", diz Bruno Sindona em novo artigo.

Por Bruno Sindona | Atualizado em: 12/09/2025 19:30 Siga-nos no Google News
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O Oeste da Grande São Paulo é um território de dimensões que impressionam. Reunido no CIOESTE, somos mais de 3 milhões de habitantes, em pouco mais de mil quilômetros quadrados. Uma região onde vivem mais de 2 milhões de eleitores, número maior que o de muitos estados brasileiros. A densidade é uma marca: cidades como Osasco e Carapicuíba figuram entre as mais compactas do país, enquanto Cotia e Ibiúna lembram que ainda há espaço para o verde e o respiro.

Não é apenas quantidade de gente. É também presença econômica. O conjunto do consórcio responde por cerca de 10% do PIB paulista e 3% da riqueza nacional. Barueri, com seu PIB per capita superior a R$ 200 mil, convive com realidades populares que se espalham pela região e sustentam uma economia viva, feita de serviços, indústrias, comércio, tecnologia e, sobretudo, trabalho humano.

Diante de tanta grandeza, seria natural esperar o mesmo na política. Se olharmos para a proporção, o Oeste da Grande São Paulo poderia ter pelo menos quatro ou cinco cadeiras na Câmara Federal. Mas não é isso que acontece. Nosso peso eleitoral se dilui, não por falta de gente ou de votos, mas porque os projetos políticos daqui, em geral, nascem em torno de trajetórias pessoais, e não de pactos coletivos. Prefeituras e lideranças locais raramente transformam essa força em candidaturas próprias de alcance nacional. Assim, ficamos à margem, sem uma bancada que fale em coro pelo território.

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Esse vácuo nos torna um paradoxo: uma região que concentra gente, riqueza e desafios, mas que se vê pouco representada onde as decisões maiores são tomadas. O que deveria ser voz firme acaba ressoando como um murmúrio.

É hora de pensar diferente. Não se trata de erguer muros entre regiões, mas de compreender que sem representação proporcional, nossas cidades continuarão sendo grandes apenas nos números. Para que sejam grandes também no destino, precisamos de deputados federais que levem ao Congresso o cotidiano de quem vive e trabalha aqui. Não nomes isolados, mas uma presença contínua, que traduza em política o que já somos em demografia e economia.

O Oeste da Grande São Paulo já mostrou ao Brasil sua capacidade de produzir e de crescer. Falta apenas que essa mesma energia encontre espaço também na política, para que a grandeza que carregamos não siga invisível.

 

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Autor

  • Bruno Sindona é empreendedor de impacto, membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República e nascido em Osasco. Atua na transformação urbana com projetos que unem estética, dignidade e propósito coletivo

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