sábado, 18 de julho de 2026
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Opinião

A urgência invisível: por que não podemos adiar o cuidado com a saúde mental

"Tratar a saúde mental não é só buscar ajuda quando tudo desmorona. É aprender a reconhecer sinais, a respeitar limites, a cultivar hábitos saudáveis. É conversar, ouvir, acolher. É entender que pedir ajuda é um ato de coragem — não de fraqueza", escreve a psicóloga Silvia Rezende em novo artigo.

Por Silvia Rezende | Atualizado em: 09/10/2025 18:41
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Era uma terça-feira comum. O despertador tocou às 6h30, como sempre. Levantei, tomei café, respondi e-mails, cumpri reuniões. Tudo parecia normal — até que, no meio da tarde, meu corpo travou. Não era cansaço físico. Era como se a mente tivesse puxado o freio de emergência. Ansiedade, angústia, um nó na garganta. E foi ali, naquele instante silencioso, que percebi: eu estava ignorando minha saúde mental há meses.

Essa história retrata a realidade de muitas pessoas que atualmente vivem em uma sociedade que valoriza produtividade, metas, entregas. Mas pouco se fala sobre o que acontece por dentro — sobre o peso que carregamos, os medos que escondemos, os traumas que silenciamos. E quando falamos, muitas vezes ouvimos: “isso é frescura”, “vai passar”, “todo mundo está assim”. Não, não é frescura. E não, não podemos deixar para depois.

Saúde mental é saúde — ponto final

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A Organização Mundial da Saúde define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social”. Mas na prática, o cuidado com a mente ainda é tratado como opcional. Consultas com psicólogos são vistas como luxo. Terapia é tabu. E admitir que se está mal é, para muitos, sinal de fraqueza.

Mas a verdade é que a mente adoece como o corpo. E quando não tratamos, os sintomas se espalham: insônia, irritabilidade, isolamento, crises de pânico, depressão. O impacto vai além do indivíduo — afeta famílias, relacionamentos, trabalho, comunidade. É uma cadeia silenciosa que se rompe quando decidimos cuidar.

Não é sobre esperar o fundo do poço. É sobre prevenção

Tratar a saúde mental não é só buscar ajuda quando tudo desmorona. É aprender a reconhecer sinais, a respeitar limites, a cultivar hábitos saudáveis. É conversar, ouvir, acolher. É entender que pedir ajuda é um ato de coragem — não de fraqueza.

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E mais: é papel de todos. Governos precisam investir em políticas públicas, empresas devem oferecer suporte emocional, escolas têm que ensinar sobre emoções. Mas também é responsabilidade nossa — como amigos, pais, filhos, colegas — criar espaços seguros para que ninguém precise sofrer em silêncio.

Cuidar da mente é cuidar da vida

Então, se você está lendo isso e sente que algo não vai bem, não espere. Fale. Procure ajuda. Cuide de você. Porque a saúde mental não pode ser uma prioridade adiada. Ela é urgente. Ela é essencial. Ela é agora.

Se quiser, posso te ajudar a encontrar recursos ou formas de iniciar esse cuidado. Quer conversar sobre isso?

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Autor

  • Silvia Rezende é graduada em Pedagogia e Psicologia pela PUC-SP, com especialização em Terapia Comportamental Cognitiva (IPq HC FMUSP/USP). É coordenadora técnica da Clínica LARES e professora do IPq HC FMUSP/USP, atuando também como psicóloga colaboradora no IPq e no PROSOL (FMUSP).

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