Alunos do Sírio-Libanês terão formação em hospital de Barueri
Faculdade de Medicina do renomado hospital privado inicia atividades no Hospital Regional Rota dos Bandeirantes, em Barueri, para formar médicos com expertise na realidade brasileira.

A Faculdade Sírio-Libanês, que iniciou sua primeira turma de graduação em Medicina no segundo semestre de 2025, terá o recém-inaugurado Hospital Regional Rota dos Bandeirantes, em Barueri, como seu principal campo de ensino prático no Sistema Único de Saúde (SUS). A parceria, que começa a valer a partir do ano que vem, reflete a diretriz obrigatória do Ministério da Educação (MEC) para todos os cursos de Medicina e o compromisso da instituição em formar profissionais com uma visão abrangente da saúde no País.
Os cem alunos da turma inaugural do Sírio-Libanês terão a oportunidade de vivenciar a prática médica em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), ambulatórios e no moderno hospital estadual, inaugurado em dezembro de 2024 e administrado pelo Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês (IRSSL) em parceria com a Secretaria Estadual da Saúde.
Luiz Fernando Reis, diretor de ensino e pesquisa do Sírio-Libanês, ressalta a importância dessa imersão na realidade do SUS. “Não consigo formar um bom médico se ele viver apenas dentro da realidade da medicina praticada em um hospital da rede suplementar. Esse médico vai sair daqui e não vai saber praticar Medicina, não vai ter visto casos clínicos e doenças que são mais prevalentes no SUS”, afirmou Reis ao Estadão. Ele explica que doenças parasitárias, dermatológicas e certos tumores em estágio avançado são mais comuns no SUS, exigindo que os estudantes tenham contato com diferentes realidades epidemiológicas.
Além da diversidade de casos clínicos, a experiência no SUS expõe os futuros médicos a contextos com distintos níveis de recursos. “O arsenal de drogas a que se tem acesso no SUS é diferente do arsenal disponível aqui dentro (do Sírio-Libanês)”, esclarece Reis, usando a oncologia como exemplo. Ele enfatiza que os médicos precisam ser treinados para aplicar protocolos de tratamento com os medicamentos disponíveis no sistema público, que nem sempre são os mais inovadores ou cobertos pelos planos de saúde da rede privada.
“O nosso compromisso não é formar médicos para o Sírio-Libanês. O nosso compromisso é formar médicos para o País, e a maior demanda está no Sistema Único de Saúde”, destaca Reis, lembrando que cerca de 75% da população brasileira depende exclusivamente do SUS.
O Hospital Rota dos Bandeirantes, que recebeu investimentos de R$ 264 milhões do governo do Estado e da prefeitura de Barueri, foi concebido desde o início com o objetivo de ser um hospital de ensino. “O Hospital Rota dos Bandeirantes nasce com essa missão dada pelo governo do Estado de ser uma referência no ensino, tanto em cursos de graduação quanto em programas de residência. Ele já foi desenhado para esse fim”, afirma Reis. A unidade contará com espaços específicos para a aprendizagem, como salas de aula, e oferecerá atendimentos de alta complexidade em áreas como cirurgia, cardiologia e oncologia.
A abertura do hospital está ocorrendo em etapas. Já em operação, a unidade conta com 176 leitos, sendo 40 de UTI. A previsão é que até junho de 2026 o hospital esteja em pleno funcionamento, com 356 leitos, oito salas cirúrgicas, 16 poltronas de quimioterapia e 20 consultórios, além de um parque tecnológico avançado com tomografia, ressonância magnética, acelerador linear e hemodinâmica. O objetivo é atender uma população de 1,82 milhão de habitantes de sete cidades da Grande São Paulo.
Embora o Rota dos Bandeirantes ainda não possua o selo oficial de hospital de ensino do Ministério da Saúde – processo reaberto em agosto –, isso não impede que ele sedie atividades práticas. As primeiras experiências dos estudantes, ainda no ciclo básico, envolverão observação, aprendizado sobre a relação médico-paciente e discussões de casos clínicos.
Reis também enfatiza os benefícios para a população atendida em um hospital de ensino. “Existe uma falsa ideia de que hospitais com mais médicos residentes, por exemplo, expõem o paciente a maior risco. Isso não é verdade. Dados de estudos científicos mostram que hospitais de ensino têm melhores desfechos clínicos.” Ele destaca o intercâmbio de profissionais e tecnologias, como o coordenador de oncologia do Rota dos Bandeirantes, que é um oncologista do Sírio-Libanês engajado em pesquisa clínica.
*Com informações do Estadão