Ato cobra justiça no aniversário da chacina de Osasco e Barueri
Familiares das 19 vítimas assassinadas por policiais em 2015 se reúnem em manifestação por memória e punição, relatando luto constante e a falta de reparação do Estado

Familiares e membros de movimentos da sociedade civil realizaram um ato no último sábado (16) em memória da chacina ocorrida em 13 de agosto de 2015 nas cidades de Osasco, Barueri e Itapevi. Na ocasião, 19 jovens foram assassinados por policiais militares em uma ação de vingança pela morte de um PM e um guarda-civil dias antes.
Organizada pela Associação 13 de Agosto e pelo movimento Mães de Osasco e Barueri, a manifestação ocorreu no Jardim Mutinga, em Barueri, e reuniu também representantes de outros coletivos, como Mães de Maio e Mães de Manguinhos. O evento foi marcado por relatos emocionados e um forte clamor por justiça.
Antônia Lúcia Gomes da Silva, mãe de Jailton Vieira da Silva, morto aos 30 anos, desabafou sobre a falta de amparo do Estado. “Falaram que a gente vai ter direito a uma pensão e indenização, mas até agora nada”, disse ela, que precisou se mudar para cuidar dos três netos que ficaram órfãos. “O policial já está na rua trabalhando. Ele pode fazer a mesma coisa, sair matando [novamente] pessoas, pessoas pretas, pobres e da periferia”.
O sentimento de impunidade é compartilhado por Aparecida Gomes da Silva Assunção, que perdeu o filho Leandro, de 36 anos. “Você não vê punição, você vê só acontecendo com outras mães a mesma coisa. Na hora que começar a punir, realmente ter uma punição severa, eu acho que talvez melhore”.
Rosa Francisca Correa, mãe de Wilker Thiago Correa Osório, de 29 anos, contou que o filho foi morto com 40 tiros pelas costas enquanto voltava do trabalho. “Quando aconteceu esse ocorrido, não acabou só com a minha família, acabou com a família de todos. Todas mães vivem um luto constante”, declarou.
Dos agentes de segurança levados a julgamento, os policiais militares Fabrício Emmanuel Eleutério e Thiago Barbosa Henklain foram condenados a penas que ultrapassam 200 anos de prisão. No entanto, o guarda civil Sérgio Manhanhã e o ex-PM Victor Cristilder dos Santos, também condenados inicialmente, foram absolvidos após um novo julgamento em 2017.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o inquérito do caso foi concluído em dezembro de 2015, com o indiciamento de sete policiais militares e um guarda civil metropolitano, e que “todos os PMs envolvidos no caso foram expulsos da corporação”.