Audiência pública na Câmara de Osasco discute empregabilidade e educação
“O desafio não é só qualificar para empregos de tecnologia, precisamos deixar as pessoas em condições de concorrer às vagas disponíveis", disse Marco Antônio Villela Santo, que atua na coordenação de programas da Secretaria de Trabalho, Emprega e Renda.

A escolaridade é fundamental para garantir e gerar o aumento da empregabilidade. A qualificação profissional aumenta as chances de garantir uma vaga no concorrido mercado trabalho, especialmente no ramo da tecnologia. Essa é a conclusão dos especialistas que participaram da Audiência Pública proposta pela Frente Parlamentar de Geração de Emprego, Trabalho, Renda e Desenvolvimento Econômico, através da Comissão Permanente de Economia e Finanças, realizada na noite desta quarta-feira (25), no Plenário Tiradentes, na Câmara Municipal de Osasco.
“Vemos um futuro muito duro. Um dado assustador foi divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Aponta uma taxa elevada de abandono escolar. Segundo o levantamento, mais de 650 mil crianças saíram da escola nos últimos três anos”, revelou a vereadora Elsa Oliveira (Podemos) presidente da Frente Parlamentar de Geração de Empregos.
Líder do Governo, Ana Paula Rossi (PL), elogiou a transformação da cidade em um polo tecnológico, mas fez uma pergunta: ‘Como apresentar uma tecnologia a pessoas que não tiveram acesso à alfabetização?’. “Muitas pessoas não tiveram a oportunidade de serem alfabetizados, não podemos fechar os olhos para essa a realidade do nosso município”, disse Ana Paula.
E foi esse aspecto que o especialista em Gestão da Informação, Francisco Felinto da Silva Jr, abordou. “Falamos aqui de jovens fora da escola. A gente precisa encarar esse desafio. Precisamos enxergar, raciocinar, debater e criar soluções, muitas soluções, porque são diversos caminhos a percorrer”, declarou, ao comentar que a proporção de desempregados é muito maior que a quantidade de vagas oferecidas e que o empreendedorismo, que também é um caminho para mais geração de empregos, precisa contar com formação educacional.
Além da questão do déficit da educação formal, Cintia Correia Sousa Hilario, Secretária Executiva de Politica para Mulheres e Promoção da Diversidade, esclarece que desigualdade social também influencia empregabilidade. “Temos de ter também o compromisso de fomentar politicas que atendam os mais vulneráveis”.
Juliana da Ativoz (PSOL), concorda com a Secretária e acrescenta a necessidade de olhar as minorias. “A população que procura o vereador é uma população que às vezes vem pedir saneamento básico, cesta básica. Concordo que tecnologia é importante, fato. Muitos não conseguem estudar e se qualificar porque precisam trabalhar para cuidar dos filhos, há os que não tem os recursos, e a população que não é respeitada como os LGBTQIA+ e pessoas com deficiência”, reforçou a parlamentar.
Atuando na Coordenação de Programas da Secretaria de trabalho, Emprega e Renda, Marco Antônio Villela Santos, reforçou a necessidade de se considerar a relação entre empregabilidade e escolaridade. “O desafio não é só qualificar para empregos de tecnologia, precisamos deixar as pessoas em condições de concorrer às vagas disponíveis. Isso demanda uma ação governamental direta, incluindo programas de alfabetização”, esclarece Vilela.