Brasil lidera engajamento no trabalho, mas enfrenta alta de burnout
Brasil lidera índice global de engajamento, mas especialistas alertam para os riscos da exaustão silenciosa; debate no Dia do Trabalho foca na transição para modelos de produtividade mais saudáveis.

Cansaço constante e perda de concentração marcam a rotina de muitos profissionais brasileiros. Neste 1º de maio, Dia do Trabalho, o avanço dos casos de burnout acende um alerta sobre os limites do modelo de produtividade atual. O debate deixa de ser apenas individual e atinge a estrutura de metas e jornadas dentro das organizações.
O Brasil lidera o ranking global de engajamento no trabalho, com 29% dos profissionais totalmente dedicados às suas funções. Os dados constam no relatório People at Work 2025, do ADP Research Institute. Embora o resultado indique disposição para a entrega, ele também amplia a discussão sobre como manter esse desempenho sem causar o esgotamento físico e mental das equipes.
O burnout é um fenômeno ocupacional reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele se manifesta por meio da exaustão extrema, queda de rendimento e distanciamento emocional das tarefas. Para especialistas, o problema reside na manutenção de rotinas que ignoram os limites humanos básicos.
Gestão de energia e desempenho
A psicóloga e especialista em performance humana, Fernanda Tochetto, afirma que a principal falha das lideranças está na tentativa de sustentar alta entrega sem a preservação da energia necessária. “As pessoas não fracassam por falta de conhecimento, mas por falta de energia para sustentar o que precisa ser feito”, explica Tochetto.
Segundo ela, o esgotamento avança de forma silenciosa. O profissional perde o foco aos poucos, acumula tarefas de forma desordenada e, quando percebe, já está sem clareza mental para decidir.
O mito das horas trabalhadas
Muitas rotinas corporativas ainda associam produtividade ao excesso de horas na empresa. Para Tochetto, essa lógica confunde movimento com resultado real. Quando o corpo emite sinais de ansiedade e desânimo, o efeito é contrário ao esperado: surgem erros frequentes e as pendências se acumulam.
O ciclo de desgaste faz com que o colaborador se esforce mais e produza menos. Diante desse cenário, parte das empresas revisa modelos de gestão focados apenas em disponibilidade constante. Fatores como sono adequado, alimentação e ambientes saudáveis passam a ser vistos como pilares da produtividade sustentável.
A revisão do modelo de trabalho ganha força com o aumento dos custos ligados ao adoecimento emocional. Para a especialista, resultados consistentes exigem clareza sobre prioridades e disciplina para manter o foco no que realmente importa, sem abrir mão da saúde.