Casas Bahia fecha lojas em Osasco e região; sindicato anuncia ação coletiva
O fechamento de lojas das Casas Bahia nesta sexta-feira (14) afetou unidades em Osasco, Barueri e Taboão da Serra, segundo informações do Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (SECOR).

O fechamento de lojas das Casas Bahia nesta sexta-feira (14) afetou unidades em Osasco, Barueri e Taboão da Serra, segundo informações do Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (SECOR). A entidade afirma ter recebido relatos de trabalhadores que chegaram para cumprir a jornada e encontraram as portas dos estabelecimentos fechadas.
A movimentação ocorre em meio a uma reestruturação anunciada pela companhia. Segundo informações divulgadas pelo “Valor Econômico”, o grupo decidiu encerrar as atividades de 298 lojas, cerca de 30% das pouco mais de mil unidades que estavam em funcionamento no país.
De acordo com o SECOR, trabalhadores de diferentes unidades foram surpreendidos com o fechamento. A entidade afirma que não foi comunicada previamente pela empresa sobre o plano de encerramento das lojas, nem sobre a quantidade de funcionários que seriam atingidos.
Diversas lojas amanheceram fechadas nesta sexta / Reprodução
Sindicato diz que entrará com ação
Diante da situação, o SECOR informou que pretende ajuizar, com urgência, uma ação coletiva contra as Casas Bahia, com pedido de reintegração dos trabalhadores dispensados e responsabilização da empresa pelos danos decorrentes da forma como os desligamentos foram realizados.
Segundo o sindicato, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu que a intervenção sindical prévia é necessária em casos de demissões em massa. A entidade afirma que a Casas Bahia não teria procurado o sindicato para apresentar o plano de fechamento, informar o número de trabalhadores atingidos ou discutir alternativas.
Ao longo desta sexta-feira (14), o SECOR também recebeu relatos de funcionários que teriam ido normalmente às lojas e encontrado os estabelecimentos fechados, sem aviso ou informações prévias.
“É uma situação desumana e de uma crueldade enorme. Trabalhadores e trabalhadoras saem de casa para mais um dia de trabalho e encontram a porta fechada, sem ninguém para explicar o que está acontecendo. Estamos falando de pessoas que têm família, compromissos e que ajudaram todos os dias a construir essa empresa. Nenhuma empresa séria pode tratar seus trabalhadores e trabalhadoras dessa maneira”, afirmou o presidente do SECOR, Luciano Pereira Leite.
A entidade também relatou casos envolvendo trabalhadores com deficiência que teriam se dirigido normalmente às unidades e ficado sem estrutura de apoio, inclusive sem acesso ao banheiro.
Demissões podem chegar a 3 mil
Segundo informações divulgadas pela imprensa e reproduzidas pelo SECOR, o fechamento das centenas de lojas teria resultado em aproximadamente 1,9 mil a 2 mil demissões concentradas nos dias 13 e 14 de agosto. O sindicato afirma que há estimativas de que o número total de desligamentos possa chegar a cerca de 3 mil trabalhadores.
Para a entidade, a dimensão da reestruturação reforça o caráter coletivo das dispensas e torna ainda mais grave a ausência de diálogo prévio com a representação dos trabalhadores.
“Uma demissão coletiva desse tamanho não pode ser feita ignorando o Sindicato e colocando os trabalhadores e trabalhadoras diante de um fato consumado. Existe decisão do Supremo Tribunal Federal determinando que a intervenção sindical seja prévia. O SECOR vai buscar na Justiça a reintegração dos trabalhadores e trabalhadoras e todas as medidas necessárias para proteger a categoria”, afirmou Luciano Pereira Leite.
O sindicato também pretende questionar a forma como os desligamentos foram conduzidos. A entidade avalia que trabalhadores serem surpreendidos com as portas fechadas, sem informações ou orientação, pode fundamentar pedidos de indenização por dano moral coletivo e outros danos decorrentes da conduta empresarial.
“Perder o emprego já é uma situação muito difícil. Fazer isso dessa maneira, sem aviso, sem informação e sem respeito, agrava ainda mais o sofrimento dos trabalhadores e trabalhadoras. O SECOR não vai aceitar que quem trabalhou pela empresa durante anos seja tratado como um número”, completou o presidente.
O SECOR informou ainda que está fazendo um levantamento das lojas fechadas e dos trabalhadores afetados em sua base territorial, que compreende as cidades de Osasco, Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Taboão da Serra e Embu das Artes. A entidade mantém canais de atendimento de plantão para receber relatos, documentos e prestar orientação jurídica aos funcionários atingidos.
A reportagem do Portal Visão Oeste procurou as Casas Bahia para obter um posicionamento sobre o fechamento das lojas, as demissões e as informações apresentadas pelo SECOR, mas não conseguiu contato com a empresa até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.