sábado, 18 de julho de 2026
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Opinião

Conferências públicas: o que são e por que sua participação muda o futuro da nossa democracia

Em novo artigo, Solange R. Aroeira explica o que são as conferências públicas e como a participação ativa fortalece a democracia.

Por Solange R. Aroeira | Atualizado em: 04/09/2025 20:08
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Espaços de escuta, proposta e transformação

As conferências municipais, regionais, estaduais e nacionais são instrumentos essenciais da democracia brasileira. Frequentemente invisíveis à população em geral, esses eventos são espaços de escuta, debate e formulação de políticas públicas, onde o poder público e a sociedade civil dialogam sobre temas urgentes como saúde, educação, igualdade racial, direitos das mulheres, assistência social, juventude, pessoas com deficiência, cidades e meio ambiente.

Mais do que encontros formais, as conferências são momentos de transformação social. É nelas que surgem reivindicações que podem se tornar leis, programas e investimentos para melhorar a vida de todos.

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Memória e participação: o desafio de pensar coletivamente

Participar de uma conferência é também exercitar a memória coletiva.

Segundo a ciência, memória não é apenas o ato de guardar lembranças, mas sim um processo ativo de reconstrução: lembramos selecionando, reorganizando e ressignificando experiências.

Ela é a ponte entre o que fomos e o que podemos nos tornar. Como costumo dizer, a memória é filha da clareza: quando recordamos de onde viemos, conseguimos enxergar com mais nitidez para onde queremos ir. Ela nos ajuda a perceber que nenhuma transformação social ocorre por acaso, mas é fruto de trajetórias e lutas acumuladas ao longo do tempo.

Como observadora, participante e, por vezes, relatora de conferências, percebo que ainda é um grande desafio para muitas pessoas saírem da lógica estritamente individual — do “meu bairro, minha rua” — e pensarem em escalas maiores: município, estado, país.

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Normalmente, os depoimentos e exemplos são muito próximos do cotidiano imediato. Não faço essa observação por crítica, mas como constatação: é natural que cada pessoa se expresse a partir de sua própria experiência.

A crítica que proponho está em outro aspecto: quando à população não são oferecidas educação e ferramentas para ampliar sua visão de mundo, a participação pública fica limitada. É como alguém que sente dor de cabeça, mas nunca aprendeu que isso pode estar relacionado a fatores externos, como um travesseiro inadequado — e vice-versa. Sem essa capacidade de estabelecer conexões, não conseguimos perceber como um problema individual se relaciona com questões coletivas.

Esse deslocamento de perspectiva exige diálogo, empatia e escuta. E justamente por não termos, historicamente, o hábito de participar de discussões abertas e democráticas, muitas vezes as conferências acabam sendo percebidas como arenas de disputa. Essas disputas, infelizmente, geram conflitos entre pessoas que estavam ali justamente para buscar um bem comum — ou seja, “melhorar o travesseiro para que mais pessoas não tenham dor de cabeça e possam cuidar melhor do próprio corpo”. E como podemos constatar “ isso não é sobre travesseiro.”

No fundo, a grande questão é compreender o que é público e o que é privado, e como esses dois campos se entrelaçam na vida de todos nós. Participar de uma conferência deveria ser visto não como defesa exclusiva de interesses pessoais, mas como um espaço de construção social, política e econômica, onde cada voz contribui para transformar a realidade coletiva.

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Vozes silenciadas encontram espaço

Durante minha atuação em conferências, acompanhei de perto pautas como os direitos da população LGBTQIAPN+, das mulheres e da igualdade racial — grupos historicamente silenciados, vítimas de violência, assédio e exclusão. Por isso, é fundamental garantir espaços de fala, acolhimento e proposição de políticas públicas que respeitem essas vidas.

Em uma conferência, nem todos têm oratória, mas todos trazem vivências. E é disso que se trata a democracia participativa: reconhecer que quem sente a dor deve estar presente na solução.

Por que é urgente falar sobre conferências?

Pouca gente sabe, mas grande parte das políticas públicas do país nasce nesses encontros coletivos. E muitas conferências, apesar de serem previstas por lei, são adiadas, esvaziadas ou esquecidas pelas gestões públicas, conforme a pauta política vigente. Quando isso ocorre, setores inteiros da sociedade deixam de ser ouvidos — uma forma de silenciamento estrutural.

Falar sobre conferências é, portanto, também defender a democracia brasileira. É lembrar que a população tem o direito de participar da construção das decisões que impactam sua vida.

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Viva a democracia brasileira!

Que tenhamos cada vez mais momentos em que o povo fala, é ouvido — e transforma o país.

E você, já conhecia alguma dessas?

Conferências nacionais — recentes e previstas

Confira abaixo algumas das conferências nacionais mais recentes ou previstas. Clique para acessar os sites oficiais com informações, relatórios e oportunidades de participação:

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5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (2025) — Etapa Nacional: 29/09 a 01/10/2025
5ª CONAPIR – Igualdade Racial (2023)
17ª Conferência Nacional de Saúde (2023)
12ª Conferência Nacional de Assistência Social (2022)
4ª Conferência Nacional LGBTQIA+ (2025) — 21 a 25/10/2025
6ª Conferência Nacional das Cidades (2025)
VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente
2ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (2024)
CONAE 2024 – Educação
12ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (2024)

Esses links foram reunidos a partir de uma breve pesquisa online. Acesse, conheça e compartilhe — afinal, o conhecimento também é uma forma de participação.

 

Autor

  • Solange R. Aroeira é psicóloga, pedagoga e Secretária das Mulheres, Direitos Humanos e Neurodiversidade em Cotia-SP. Especialista em neurodiversidade e educação especial, atua há mais de 15 anos nas áreas clínica, educacional e de recursos humanos. Palestrante e autora do livro "Como viramos estrelinhas: Finitude", dedica-se a promover ações estratégicas para inclusão social e cidadania plena. Redes sociais: @solangearoeira

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