Editorial: Jogo de Cena
Nas manifestações verde e amarelas seu nome foi poupado ou até, como na foto que ilustra esse Editorial, venerado. “Cunha é o corrupto que vai nos livrar do PT”, pensavam.

Temer e Cunha são parceiros de longa data e a articulação do impeachment não teria sido possível sem o deputado na presidência da Câmara dos Deputados. Desde que venceu o petista Arlindo Chinaglia, Eduardo Cunha derrotou várias vezes o governo, impôs a sua pauta, sempre contrária aos interesses do Planalto e, como cereja do bolo, acolheu pedido de impeachment da presidente Dilma ao ser informado que o PT não o apoiaria no processo a que responde no Conselho de Ética.
As citações na Lava Jato foram se acumulando, assim como provas cabais de enriquecimento ilícito e polpudas contas secretas na Suíça, abastecidas com propinas. Mesmo assim, nas manifestações verde e amarelas seu nome foi poupado ou até, como na foto que ilustra esse Editorial, venerado. “Cunha é o corrupto que vai nos livrar do PT”, pensavam.
Como é sabido, Cunha articula os votos de centenas de deputados. Por isso, sua permanência na cadeira principal da Câmara foi fundamental para os planos de Temer e a oposição. Nesta quinta-feira o STF fez jogo de cena e decidiu afastar o deputado. Só agora! Como bem definiu um internauta, “o afastamento do Cunha é o gol do Brasil quando já estava 7 a 0”.