Em meio a recorde de feminicídios, ‘botão do pânico’ de app já foi acionado 4 mil vezes em São Paulo
O número, que revela a alta demanda por socorro imediato, surge em um momento em que a violência de gênero atinge níveis recordes no estado e motiva a convocação de um protesto na Avenida Paulista para amanhã (7).
O “botão do pânico” do aplicativo SP Mulher Segura, ferramenta do Governo de São Paulo para proteger mulheres com medidas protetivas, já foi acionado 4 mil vezes desde o seu lançamento em março de 2024. O número, que revela a alta demanda por socorro imediato, surge em um momento em que a violência de gênero atinge níveis recordes no estado e motiva a convocação de um protesto na Avenida Paulista para o próximo domingo (7).
Desenvolvido pela Secretaria de Segurança Pública, o aplicativo conta atualmente com 34,5 mil usuárias ativas. Sua principal funcionalidade, o botão do pânico, é destinada a mulheres com medidas protetivas que, ao acioná-lo, enviam um alerta geolocalizado para a central da Polícia Militar, que despacha a viatura mais próxima para o socorro imediato.
Além dos pedidos de socorro, a plataforma permitiu o registro de 1,3 mil boletins de ocorrência de forma remota, sem a necessidade de deslocamento a uma delegacia.
A alta procura por mecanismos de proteção é um reflexo direto do aumento da violência. Entre janeiro e julho, o número de pedidos de medidas protetivas no estado cresceu 22,3% em relação ao mesmo período de 2024, totalizando 67.990 solicitações.
Apesar das ferramentas, a realidade é crítica. A cidade de São Paulo bateu seu recorde histórico em 2025, com 53 feminicídios registrados entre janeiro e outubro, o maior número desde o início da série histórica em 2015. Em todo o estado, foram 207 mulheres assassinadas pelo mesmo motivo, um aumento de 8% em relação ao ano anterior.
É neste contexto que o Movimento Nacional Mulheres Vivas convoca o ato de domingo. A urgência da mobilização é sublinhada por casos recentes de violência brutal, como o de Tainara Souza Santos, de 30 anos, que teve as pernas amputadas após ser arrastada por um carro na Marginal Tietê, e o de uma mulher de 38 anos, alvejada seis vezes pelo ex-namorado em seu local de trabalho na zona norte da capital. A manifestação busca dar um basta a um ciclo de violência que as estatísticas e os pedidos de socorro comprovam estar longe de acabar.