Em Osasco, Política de Cuidados é debatida como pilar para a equidade de gênero
6ª edição do encontro promovido pelo Sindicato reuniu especialistas e trabalhadoras para discutir o impacto das tarefas domésticas na autonomia feminina e a luta pelo fim da escala 6x1.
A 6ª edição da Estação Mulher, realizada no último sábado (14) no Metalclube, em Osasco, trouxe ao centro do debate a Política Nacional de Cuidados como uma ferramenta estratégica para promover a equidade entre homens e mulheres.
O evento, conduzido pelas diretoras do Sindicato, reuniu trabalhadoras e seus familiares para refletir sobre como a divisão das tarefas domésticas e de assistência impacta diretamente a vida profissional e social feminina.
O conceito central do encontro foi a compreensão de que o ato de cuidar — seja de filhos, idosos ou da casa — é um trabalho que gera valor econômico, mas que historicamente recai de forma desproporcional sobre as mulheres.
Rosane Silva, Secretária Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Governo Federal, destacou que essa responsabilidade precisa ser compartilhada.
“O cuidado demanda tempo e é fundamental para a economia funcionar. Ele precisa ser valorizado econômica e socialmente, sendo uma responsabilidade de todos: Estado, famílias, homens e mercado de trabalho”, pontuou Rosane.
Segundo ela, a nova política pública busca reorganizar essa estrutura para que a sociedade apoie as famílias com serviços como creches, cuidotecas e lavanderias comunitárias.
A realidade do “se virar sozinha”
Relatos de trabalhadoras deram o tom da urgência do tema. Leila, funcionária da Southco, relembrou as dificuldades enfrentadas para criar a filha sem uma rede de apoio. “Nunca tive um braço para me apoiar. A creche ajuda muito e as mães realmente precisam disso”, desabafou.
O cenário é ainda mais sensível para as mães atípicas. Gislaine Farias, do Movimento Oz – Mães e Pais Atípicos, alertou para o isolamento dessas mulheres. “80% delas são abandonadas pelos maridos após o diagnóstico de deficiência da criança. Muitas estão fora do mercado de trabalho não por opção, mas pela demanda intensa de cuidados, ficando reféns de auxílios que nem sempre conseguem acessar”, ressaltou.
Redução da jornada e o papel dos homens
O presidente do Sindicato, Gilberto Almazan, o Ratinho, conectou o debate à pauta trabalhista atual. Para ele, o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução de salário, são fundamentais para aliviar a “dupla jornada” das mulheres.
A mudança, porém, também passa pela educação e pelo comportamento masculino. A professora Dra. Rosangela Hilário defendeu que a sociedade só mudará quando seres humanos forem educados com responsabilidades compartilhadas.
No mesmo sentido, João Salgado, da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, apresentou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio.
Salgado enfatizou que o combate à violência contra a mulher é um dever dos homens. “O homem é o agressor, então temos que envolver cada vez mais os homens nessa causa. Repreender o amigo que faz comentário machista é o primeiro passo”, disse ele, destacando o plano de implementar 52 Unidades Móveis para atendimento às vítimas.