quinta-feira, 04 de junho de 2026
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Barueri

Entenda como bilhetes encontrados no esgoto de presídio levaram à prisão de Deolane

Operação Vérnix teve início há sete anos após policiais encontrarem bilhetes descartados no esgoto de penitenciária; defesa afirma que influenciadora é inocente.

Por Jenifer Oliveira | Atualizado em: 22/05/2026 12:35
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Bilhetes encontrados no esgoto de uma penitenciária no interior de São Paulo deram início a uma investigação que terminou com a prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, nesta quinta-feira (21), em Barueri, durante a Operação Vérnix.

A ação foi conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, que investigam um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão.

Além de Deolane, familiares de integrantes da facção criminosa também foram alvos da operação. A Justiça determinou ainda o bloqueio de mais de R$ 327 milhões, o sequestro de 17 veículos — incluindo carros de luxo — e quatro imóveis ligados aos investigados.

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Segundo os investigadores, a operação começou há sete anos, após policiais penais encontrarem cartas e bilhetes descartados pelo esgoto de uma cela da penitenciária de Presidente Venceslau (SP).

O material foi encaminhado ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que passou a atuar em conjunto com a Polícia Civil. De acordo com a polícia, as apurações levaram à abertura de três inquéritos policiais e à identificação de uma transportadora suspeita de ser usada para movimentar recursos do PCC.

Investigação identificou movimentações suspeitas

Durante coletiva de imprensa realizada ontem, investigadores afirmaram que a análise de dados bancários e de um celular apreendido na transportadora apontou a existência de uma estrutura organizada para ocultar dinheiro do crime.

Segundo a investigação, empresas de fachada, contas bancárias e aquisição de bens de alto padrão seriam usados para esconder a origem ilícita dos recursos. De acordo com a Polícia Civil, Deolane Bezerra supostamente mantinha vínculos financeiros com a transportadora investigada e teria recebido transferências bancárias da empresa.

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Coletiva de imprensa sobre Operação Vérnix / Reprodução

O delegado Edmar Caparroz afirmou que não foram encontrados indícios de prestação de serviços entre a influenciadora e a transportadora.
“Nós entendemos que, pelo poder econômico que adquiriu ao longo do tempo, ela funcionava como uma espécie de caixa do crime organizado. Eles depositavam valores na conta dela, e esses valores se misturavam com o dinheiro de outras atividades dessa pessoa pública. Quando precisavam desse dinheiro, ele retornava ao crime organizado”, declarou o delegado.

Ainda segundo os investigadores, o grupo movimentou milhões de reais sem compatibilidade econômica.

Suspeita de encontro com sobrinha de Marcola

Deolane foi presa um dia após retornar da Itália. Segundo a investigação, ela teria se encontrado com Paloma Camacho, sobrinha de Marcos Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC.

Paloma seria responsável por repassar informações internas do sistema penitenciário, incluindo a divisão de lucros da transportadora investigada, ainda segundo a investigação.

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De acordo com a Polícia Civil, Paloma fugiu para a Espanha e está na lista vermelha da Interpol. Outro sobrinho de Marcola, Leonardo Camacho, é procurado na Bolívia.

Também foram notificados de novas ordens de prisão Alejandro Camacho, irmão de Marcola, e o próprio Marcos Camacho, que já cumprem pena em presídios federais. Outro preso na operação foi Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da organização.

A ação contou com apoio do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope).

O que diz a defesa de Deolane

Deolane Bezerra nega envolvimento com atividades ilegais. Ao deixar a sede da Polícia Civil, no Centro de São Paulo, ela afirmou que “a Justiça vai ser feita”.

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Em nota divulgada pela defesa, os advogados afirmaram que a influenciadora é inocente e disseram considerar “desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane”.

A defesa declarou ainda que seguirá colaborando com as investigações.

“A defesa técnica da advogada Dra. Deolane Bezerra Santos vem, com o máximo respeito às instituições do Sistema de Justiça e ao Estado Democrático de Direito, prestar os devidos esclarecimentos”, diz trecho da nota.

Os advogados afirmaram também que “os fatos serão devidamente esclarecidos por esta, em momento oportuno” e reforçaram “a mais absoluta inocência” de Deolane.

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Reprodução/Instagram

Transferência para penitenciária no interior

Inicialmente, Deolane foi levada para a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital paulista. Na manhã desta sexta-feira (22), ela foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.

Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, a Operação Vérnix representa mais um avanço no combate ao crime organizado e às estruturas financeiras utilizadas por facções criminosas para lavagem de dinheiro. As investigações continuam.

 

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Escrito por

Jenifer Oliveira

Jenifer Oliveira é editora do Portal Visão Oeste. Jornalista formada pela Universidade Nove de Julho, atua na imprensa regional desde 2016. Com expertise em jornalismo digital, acumula experiências na redação e edição de texto, reportagem e assessoria de imprensa e comunicação.
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