quarta-feira, 03 de junho de 2026
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Especialista da USP explica como vínculo entre tutores e cães influencia comportamentos e saúde emocional

Especialista da USP detalha como a personalidade dos tutores influencia o comportamento dos cães, afetando vínculos, saúde emocional e rotina.

Por Aline Ferrari | Atualizado em: 15/11/2025 23:53
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A relação entre tutores e cães vai muito além da companhia e pode, inclusive, moldar comportamentos e traços de personalidade. Um estudo publicado na revista Personality and Individual Differences aponta que humanos e seus pets compartilham características comportamentais e até hábitos de saúde, semelhanças que podem surgir tanto na escolha do animal quanto ao longo da convivência.

A psicóloga experimental e especialista em etologia Mariana Hess, mestre pelo Instituto de Psicologia (IP) da USP, explica que o comportamento dos tutores exerce influência direta sobre os cães.
“Tutores com níveis mais elevados de neuroticismo podem ter cães mais inseguros e ansiosos. Já pessoas extrovertidas tendem a ter cães mais sociáveis, enquanto tutores mais conscientes costumam ter animais mais obedientes devido à estabilidade no treinamento”, afirma.

Convivência, saúde mental e possíveis conflitos

De acordo com Mariana, embora o vínculo forte geralmente seja visto como positivo, certas semelhanças podem gerar conflitos. “Quanto maior o nível de apego, maior também o nível de ansiedade, estresse e depressão. Isso não significa que o cão causa esses sentimentos, mas que o tutor pode usar esse vínculo como uma forma de enfrentamento emocional”, explica.

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A especialista destaca situações em que diferenças entre tutor e cão podem gerar estresse. Tutores muito ativos podem levar cães ansiosos a ambientes que os deixam desconfortáveis. Da mesma forma, cães muito enérgicos podem sofrer quando convivem com pessoas mais caseiras, resultando em inquietação e agitação.

Ainda assim, algumas semelhanças favorecem a relação. “Traços como extroversão e amabilidade contribuem para vínculos mais positivos e estáveis”, observa. Para ela, o cão funciona como um “apego seguro”, capaz de fortalecer até mesmo relações humanas. “Desenvolver essa relação com o pet ajuda também a desenvolver vínculos mais saudáveis com outras pessoas.”

Atividade física e benefícios à saúde

A rotina de convivência pode influenciar o nível de atividade física de tutores e cães. “Quanto mais o tutor sai para caminhar ou se exercitar, mais o cão acompanha. Isso se reflete em maior atividade física para ambos”, explica Mariana.

Segundo ela, manter o cão ativo contribui para prevenir doenças crônicas, musculoesqueléticas e obesidade. No aspecto mental, a prática regular de exercícios está associada à redução da ansiedade e agressividade.

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Adoções mais conscientes

Para Mariana, compreender essas interações pode melhorar o processo de adoção. “É fundamental entender quais perfis de cães combinam com o estilo de vida do tutor. Isso evita tentativas de moldar o animal e promove relações mais harmoniosas.”

Ela ressalta que o conhecimento sobre personalidade também amplia as possibilidades de adoção de cães adultos. “Cães mais velhos já têm características definidas, o que facilita encontrar um tutor compatível e aumenta as chances de uma convivência positiva.”

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Escrito por

Aline Ferrari

Aline Ferrari, estagiária na Redação do Visão Oeste, sob a supervisão da editora Jenifer Oliveira
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