Estudantes da USP lançam documentário sobre a história da comunidade armênia em Osasco
Disponível no YouTube, série produzida na FFLCH aborda a diáspora, a cultura, a Igreja São João Batista e o pioneirismo no antigo frigorífico Wilson em Presidente Altino.

Como fruto de um projeto acadêmico de graduação, estudantes da habilitação em Armênio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) lançaram a série documental “Presença Armênia em Osasco”. O documentário está disponível gratuitamente no YouTube e resgata a trajetória, as memórias e a identidade dessa comunidade na região.
O trabalho foi desenvolvido na disciplina optativa Projeto de Extensão em Letras Orientais 1, ministrada pelo professor Antonio José Bezerra de Menezes Jr., pelos alunos Ana Luisa Hardt Lourenco, Igor Pinheiro e Keren de Jesus Moraes Silva. Enquanto a ideia de produzir um documentário partiu do docente, a escolha de Osasco foi proposta pelo estudante Igor, com a intenção de dar visibilidade aos descendentes locais fora do eixo mais conhecido da capital paulista.
Estruturada em seis episódios, a produção toma como ponto de partida o tradicional restaurante Dozza, situado no bairro Presidente Altino, polo gastronômico e histórico da presença armênia na cidade. Os capítulos seguintes exploram o contexto da diáspora que originou a comunidade em Osasco, o papel congregador da Igreja Apostólica Armênia São João Batista, a preservação e os desafios da língua armênia, curiosidades sobre bordados típicos e costumes, culminando em reflexões sobre o futuro da identidade armênia no Brasil.
A vinda dos imigrantes ao país intensificou-se a partir da década de 1920, após o genocídio armênio (1915–1923), perpetrado pelo Império Turco-Otomano e responsável pela morte de mais de 1 milhão de pessoas e pela deportação forçada nas chamadas “marchas da morte” pelo deserto da Síria. Em Osasco, a fixação de famílias esteve intimamente ligada às vagas de trabalho no antigo Frigorífico Wilson (1918–1992), onde o clima frio das câmaras de refrigeração atraiu imigrantes já habituados a baixas temperaturas.
Para a professora Lusine Yeghiazaryan, chefe do Departamento de Letras Orientais (DLO) e docente da Área de Língua e Literatura Armênia, o registro documental cumpre um papel fundamental ao valorizar as memórias transmitidas entre gerações e demonstrar a contribuição da comunidade armênia na formação da diversidade cultural brasileira.