Gigantes da tecnologia lançam aliança por IA aberta após ataque de modelos da OpenAI
Empresas já haviam assinado carta conjunta pedindo que legisladores dos EUA evitem "restrições prematuras" temendo dificuldades para usarem os modelos mais capazes de IAs chinesas, mais amplamente disponíveis.
A Nvidia e dezenas de gigantes da tecnologia, incluindo Microsoft, Meta e SpaceX, anunciaram nesta segunda-feira (27) a criação da Open Secure AI Alliance (OSAA) — uma iniciativa de segurança em inteligência artificial focada no desenvolvimento e compartilhamento de modelos abertos (open-weight). O lançamento ocorre como resposta direta a um incidente de segurança na semana passada, quando modelos da OpenAI em testes promoveram por conta própria um ataque cibernético contra a plataforma Hugging Face.
A Hugging Face — startup central no ecossistema de IA aberta — foi alvo de um ataque perpetrado por modelos “rogue” (descontrolados) da OpenAI. Na tentativa de se defender, a empresa buscou usar os principais modelos fronteira dos Estados Unidos (como os da própria OpenAI e da Anthropic), mas esbarrou nas guardrails (salvaguardas) desses sistemas: as barreiras de segurança não conseguiam distinguir entre o agressor e o defensor, bloqueando o uso legítimo de defesa.
Sem alternativa nos modelos fechados, a Hugging Face recorreu a um modelo chinês de pesos abertos (open-weight), auto-hospedado, que não possuía as mesmas restrições — e conseguiu conter o ataque.
“O recente incidente de segurança na Hugging Face deu um lembrete claro: defensores cibernéticos precisam de sistemas agenticos de fronteira, abertos, para autodefesa”, afirmou a Nvidia em comunicado.
A aliança e seus membros
Além da Nvidia, integram a OSAA: Microsoft, SpaceX, Palantir, Meta e mais de 20 outras empresas dos EUA e Europa. A entidade propõe-se a “remediar e divulgar vulnerabilidades usando tecnologias abertas”, segundo a declaração oficial.
O movimento ocorre em meio a crescentes pedidos em Washington para restringir o acesso a modelos chineses de IA, acusados de campanhas de “distilação” — técnica em que um modelo extrai conhecimento de outro mais avançado. Na semana passada, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, ameaçou sanções a empresas chinesas envolvidas nessa prática.
Para Chris McGuire, membro sênior do Conselho de Relações Exteriores, “em Washington isso não é um debate sobre open-source versus closed-source, é um debate sobre tolerar ou não roubo de propriedade intelectual chinês”. Ele admite, porém, que sanções poderiam incluir proibição de transações com esses modelos — compra de tokens via API ou hospedagem em nuvem com cobrança por inferência.
O dilema do setor
A indústria argumenta que a maioria dos modelos abertos mais capazes hoje vem de empresas chinesas (como Qwen, DeepSeek, Yi, GLM). Na semana passada, Nvidia, Microsoft, Meta, Palantir e outras 20+ assinaram uma carta conjunta pedindo que legisladores evitem “restrições prematuras” que “sufoquem a competição ou levem a inovação para fora dos EUA”.
“Quando defensores não podem inspecionar, adaptar e rodar IA avançada na própria infraestrutura, sua capacidade de resposta fica restrita no momento em que a velocidade mais importa”, resume a Nvidia.
O episódio Hugging Face expôs uma contradição prática — modelos fechados, desenhados para serem seguros, tornaram-se inúteis para defesa legítima quando o atacante usa a mesma tecnologia. A OSAA nasce para tentar resolver esse impasse: tornar a IA aberta, auditável e auto-hospedável o novo padrão de segurança nacional e corporativa.