Justiça condena militares e civis por desvio de metralhadoras em Barueri
Penas para os nove envolvidos, incluindo quatro militares, chegam a mais de 17 anos de prisão; 22 armas foram levadas da unidade.

A Justiça Militar da União em São Paulo condenou nove pessoas, sendo quatro militares do Exército Brasileiro e cinco civis, pelo furto e comercialização de armamentos de grosso calibre do Arsenal de Guerra de Barueri. Os crimes ocorreram no feriado de 7 de setembro de 2023.
As penas mais severas foram aplicadas aos dois ex-cabos do Exército considerados os principais executores do crime, condenados a 17 anos e 4 meses de reclusão por peculato-furto. Entre os cinco civis condenados por comércio ilegal de arma de fogo, as penas chegam a 18 anos de reclusão em regime fechado, além de multa. Os nomes dos condenados não foram revelados.
A investigação apontou que um tenente, chefe da Seção de Inteligência, facilitou a ação ao ordenar que os veículos não fossem revistados na entrada e saída da unidade. Ele foi condenado a 9 meses de detenção. O tenente-coronel que comandava o Arsenal de Guerra na época também foi condenado a seis meses de suspensão do exercício do posto por negligência.
O crime e a recuperação
O furto do armamento, que inclui 13 metralhadoras de calibre .50 (capazes de derrubar aeronaves), oito de calibre 7,62 e um fuzil, só foi descoberto em 10 de outubro de 2023, durante uma inspeção.
Segundo as investigações, no dia 7 de setembro, os dois cabos arrombaram os cadeados do depósito, desativaram o alarme, colocaram as armas em uma caminhonete e deixaram a unidade sem revista. O arsenal foi entregue a civis para ser repassado a organizações criminosas de São Paulo e Rio de Janeiro.
Das 22 armas subtraídas, 20 foram recuperadas em operações policiais nos municípios do Rio de Janeiro e de São Roque. Duas metralhadoras continuam desaparecidas.