Justiça Federal aciona governo sobre extradição de espião russo que viveu em Cotia
Sergey Cherkasov, que mantinha dois apartamentos no município paulista sob identidade falsa, aguarda decisão final do presidente Lula para ser enviado à Rússia.

A Justiça Federal acionou o Ministério da Justiça para obter informações atualizadas sobre os trâmites administrativos da extradição do espião russo Sergey Vladimirovich Cherkasov. O processo, que já possui respaldo do Supremo Tribunal Federal (STF), depende agora exclusivamente de uma decisão final do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o estrangeiro seja enviado ao país de origem.
Cherkasov, que cumpre pena desde dezembro de 2022 na Penitenciária Federal de Brasília, viveu por um longo período sob a identidade falsa de Victor Muller Ferreira. Durante o tempo em que operou no Brasil, o russo estabeleceu vínculos na região, mantendo registros de três endereços em seu nome fictício: dois apartamentos localizados em Cotia e um no bairro do Butantã, na capital paulista. No material apreendido com ele, a polícia brasileira descobriu inclusive uma biografia fictícia do personagem Victor, escrita pelo próprio Sergey para sustentar seu disfarce.
A trajetória do suposto espião inclui estudos na Irlanda e nos Estados Unidos. Em abril de 2022, Cherkasov foi barrado ao tentar entrar na Holanda para trabalhar no Tribunal Penal Internacional (TPI), após um alerta de autoridades norte-americanas que suspeitavam de sua verdadeira identidade. Deportado para o Brasil, ele foi preso e processado por uso de documento falso. Embora tenha negado sua origem nas primeiras semanas, Sergey confessou ser russo após receber a visita de um diplomata na prisão.
Apesar de o inquérito sobre espionagem em território nacional ter sido arquivado por falta de provas, a extradição foi condicionada à conclusão dos procedimentos judiciais. O governo de Vladimir Putin solicitou o envio de Cherkasov alegando que ele é um traficante procurado na Rússia, e o próprio estrangeiro manifestou o desejo de ser enviado ao Kremlin. O caso agora está sob a análise da Coordenação-Geral de Extradição e Transferência de Pessoas Condenadas, vinculada ao Ministério da Justiça, antes de chegar à mesa do presidente da República.