Linha 22-Marrom avança com início de sondagens para futuro metrô em Cotia
Perfurações em cerca de 40 pontos do município vão fornecer informações sobre o subsolo e servirão de base para as próximas etapas de planejamento da futura linha metroviária.

Quem passa pelo Complexo do Ginásio de Esportes, em Cotia, talvez não perceba à primeira vista a importância do trabalho que começou a ser realizado no local nesta semana. Mas é justamente a partir dessas perfurações no solo que começa uma das etapas mais relevantes para a implantação da futura Linha 22-Marrom do Metrô.
A Prefeitura de Cotia autorizou, nesta terça-feira (2), o início das sondagens geotécnicas no município. Os levantamentos são realizados por empresa contratada pela companhia responsável pelo projeto e integram os estudos necessários para o desenvolvimento da futura linha, que deverá conectar Cotia à capital paulista.
A previsão é que cerca de 40 pontos da cidade recebam investigações de solo nos próximos meses.
O que está sendo analisado
Nesta fase, técnicos realizam perfurações para identificar as características do subsolo. O objetivo é mapear a composição do terreno, verificando a presença de materiais como argila, areia, rocha e outros elementos que podem influenciar diretamente a construção de túneis e estruturas subterrâneas.
As amostras coletadas são encaminhadas para análise em laboratório e servirão de base para o desenvolvimento dos projetos de engenharia.
Embora o trabalho possa parecer distante da construção em si, especialistas apontam que essa etapa é fundamental para definir métodos construtivos, equipamentos de escavação e soluções de segurança que serão adotadas futuramente.
Primeira etapa de sondagem / Foto: Juliano Barbosa
Etapa técnica antecede as obras
A sondagem faz parte do processo de elaboração do chamado Projeto Básico, fase que sucede os estudos de viabilidade já concluídos e antecede a elaboração do Projeto Executivo, documento que reúne todas as especificações necessárias para a realização das obras.
Os dados obtidos também ajudam a dimensionar equipamentos de escavação, conhecidos popularmente como “tatuzões”, além de contribuir para o planejamento de estações, túneis e estruturas de apoio.
Segundo informações divulgadas durante o início dos trabalhos, algumas perfurações poderão atingir profundidades superiores a 27 metros, dependendo das condições geológicas encontradas em cada trecho.
Linha será totalmente subterrânea
O ponto escolhido para o início das sondagens poderá abrigar futuramente uma estrutura de Ventilação e Saída de Emergência (VSE), equipamento utilizado em linhas subterrâneas para renovação do ar nos túneis e evacuação de passageiros em situações emergenciais.
O projeto da Linha 22-Marrom prevê um trajeto totalmente subterrâneo.
Divulgação/Metrô
O que prevê a Linha 22-Marrom
Considerada uma das principais obras de mobilidade planejadas para a Região Metropolitana de São Paulo, a Linha 22-Marrom deverá ligar Cotia à Estação Sumaré do Metrô de São Paulo, passando por Osasco.
Entre os números previstos para o empreendimento estão:
- 29,75 quilômetros de extensão;
- 19 estações ao longo do percurso;
- 7 estações localizadas em Cotia;
- Integração com as linhas 2-Verde, 4-Amarela, 9-Esmeralda e futura Linha 20-Rosa;
- Demanda estimada de cerca de 678 mil passageiros por dia;
- Tempo médio de viagem entre Cotia e a região de Sumaré de aproximadamente 42 minutos.
Projeto ainda passará por novas etapas
Apesar do avanço representado pelo início das sondagens na região de Cotia, a implantação da linha ainda depende da conclusão dos projetos técnicos, da obtenção das licenças ambientais e da definição dos recursos necessários para a execução das obras.
Recentemente, o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) receberam aprovação do Condephaat. A Licença Ambiental Prévia também já foi solicitada à Cetesb.
A expectativa é que novas sondagens sejam realizadas ao longo dos próximos meses e que audiências públicas ocorram no segundo semestre para apresentar detalhes do empreendimento à população.
Embora ainda não exista uma data definida para o início das obras, o avanço dos estudos técnicos representa mais um passo concreto em um projeto aguardado há décadas por moradores de Cotia e de municípios vizinhos que utilizam diariamente os corredores de acesso à capital paulista.