Mais deputados em 2026? Proposta aprovada na Câmara divide parlamentares da região e enfrenta resistência no Senado
Aprovada pela maioria dos deputados federais, dentre eles Ribamar Silva (PSD), a proposta que visa aumentar o número de parlamentares na Câmara de 513 para 531 a partir das eleições de 2026, deve encontrar um caminho mais árduo no Senado.

Aprovada pela maioria dos deputados federais, a proposta que visa aumentar o número de parlamentares na Câmara de 513 para 531 a partir das eleições de 2026, deve encontrar um caminho mais árduo no Senado. A medida de autoria da deputada Dani Cunha (União-RJ), se implementada, acarretaria um custo estimado de R$ 64,6 milhões anuais aos cofres públicos.
Apesar da aprovação na Câmara com 270 votos favoráveis e 207 contrários, em 6 de maio, a resistência no Senado já vem se manifestando tanto na oposição quanto na base governista. Alguns senadores prometem não apenas barrar o aumento, mas também discutir uma possível redução no número atual de deputados.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), por exemplo, criticou duramente a proposta, alegando que ela eleva os custos de um Congresso que “já é um dos mais caros do mundo”. Girão defende um projeto de sua autoria que limita o número de deputados a 300.
Segundo o Instituto Millenium, cada deputado pode custar até cerca de R$ 273 mil por mês, sendo mais de 3,2 milhões ao ano, levando em consideração despesas de cota para o exercício da atividade parlamentar, verba de gabinete, encargos trabalhistas com secretários parlamentares, reembolso de despesas médicas, plano de saúde, auxílio moradia e outros custos.
“Ninguém leva em conta que, além de todas as despesas com gabinetes e mordomias, cada parlamentar ainda tem o direito às emendas, que totalizam R$ 50 bilhões”, disparou Girão um dia após a proposta ser aprovada na Câmara.
Na região, apenas Ribamar (PSD) votou pelo aumento de cadeiras na Câmara
Uma pequena parte da bancada paulista da Câmara dos Deputados votou a favor do projeto: dos 70 integrantes, apenas 14 foram favoráveis ao aumento no número de cadeiras. Além do custo, outro motivo seria a própria Constituição, que limita a 70 deputados no máximo por estado, independente da quantidade populacional. Como São Paulo já atingiu esse teto, a medida não mudaria a situação atual do estado.
A proposta, se aprovada, beneficiará os estados do Pará e Santa Catarina com quatro novas cadeiras, cada; seguidos por Mato Grosso do Sul, Amazonas e Rio Grande do Norte, que ganhariam mais duas vagas, cada; e os estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná e Ceará, com o acréscimo de mais uma cadeira, cada.
Deputado federal Ribamar Silva (PSD-SP) / Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Da região, Ribamar Silva (PSD) foi o único deputado federal que votou pelo aumento do número de vagas. Já Renata Abreu (Podemos) e Fábio Teruel (MDB) estão entre os parlamentares que foram contra. “O Brasil não precisa de mais deputados. Precisa de mais responsabilidade com o dinheiro público. Em vez de aumentar as cadeiras na Câmara Federal, deveríamos estar focados em melhorar a gestão, a transparência e os resultados”, afirmou Renata Abreu em suas redes sociais.
Deputada federal Renata Abreu (Podemos-SP) / Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados
A data para votação da proposta no Senado ainda não foi definida. O Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, determinou que o assunto seja discutido até junho deste ano. Caso contrário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será responsável por implementar a mudança.