quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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Antônio Carlos Roxo

Não matarás (Êxodo 20:13)

A política do ódio leva a situações de extremismo. Ainda na pandemia, Bolsonaro pai, ao ser questionado pelas mortes pela Covid, respondeu: “Não sou coveiro!”

Por Antônio Carlos Roxo | Atualizado em: 21/10/2026 12:45
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A política do ódio leva a situações de extremismo. Ainda na pandemia, Bolsonaro pai, ao ser questionado pelas mortes pela Covid, respondeu: “Não sou coveiro!”. Exatamente das 716.238 mortes (dados oficiais do Ministério da Saúde), estima-se, por baixo, que mais de 200 mil mortes resultaram da política negacionista, gerando um conjunto de erros: indução à aglomeração, não utilização de máscaras, campanha contra a vacina e indicação de tratamento comprovadamente ineficaz, como a cloroquina. Além disso, ou por isso mesmo, houve demora na compra das vacinas (por que será?) e, pior, torcida contra a vacina do Butantan, comemorando quando os testes da CoronaVac foram momentaneamente suspensos, pela morte de um voluntário: “Mais uma que Jair Bolsonaro ganha” (de quem, cara-pálida? Da vida?). O descalabro com a pandemia, utilizando o poder comunicacional vinculado ao cargo de presidente, implicou, segundo o ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta, 350 mil mortes evitáveis (Estado de Minas, 08/05/2023), se os protocolos fossem cumpridos.

Mas o que igualmente dói é a política de terra arrasada na Amazônia, franqueando a entrada nas terras indígenas e a destruição dos rios com a utilização de mercúrio para mineração, além da abertura para a pilhagem da floresta. Na época, o então ministro Salles, quando todos estavam com a atenção voltada para a pandemia, propôs a liberação geral, abrindo a Amazônia e permitindo a derrubada da floresta: “Vamos aproveitar para passar a boiada”.

O intuito era facilitar aos mineradores, grileiros, fazendeiros e madeireiros explorar o território amazônico sem regras, facilitando sua ocupação e levando a destruição para os indígenas.

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Um dos meus irmãos, querido, muito bom polemista e um ativo estudante de teologia, disse, tempos atrás, a respeito da questão climática: “Deus perdoa, a natureza não!”. Haja vista as mudanças climáticas que estão aí e se acentuando, apesar das negativas obtusas de personalidades como Trump e os Bolsonaros.

A vitória do bolsonarismo nesta eleição, não digo nem da direita e talvez de parte da extrema-direita, mas dos que são raiz, significará, em última instância, não só a entrega do destino do país aos EUA de Trump e às suas empresas (que é o que lhe interessa, haja vista o que aconteceu na Venezuela, com a apropriação sem delongas do petróleo para empresas americanas), mas também passar a boiada na Amazônia, completando o ciclo iniciado no governo do pai: destruição da natureza e, com isso, de seus guardiões, os indígenas.

Não à toa, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, congratulou-se com Bolsonaro filho depois do resultado do primeiro turno, apontando uma nova relação de amizade entre Israel e Brasil, talvez oferecendo sua expertise em destruição de território e de um povo — Gaza que o diga.

Fica o alerta: não só pelo fuzil se mata, mas também pelo voto. Mata-se a democracia, a floresta e seu povo. Lembrai-vos disso ao votar. O futuro cobrará.

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Pensando bem, nesse caso, Deus, mesmo em sua infinita misericórdia, fará como a natureza: não perdoará!

 

Autor

  • Antônio Carlos Roxo é Economista pela Universidade Federal de Juiz de Fora, mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais e doutor pela Universidade de São Paulo.

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