O cafezinho nosso de cada dia pode ser um aliado do coração, aponta novo estudo
Pesquisa quebra paradigma ao sugerir que o consumo diário de café, um hábito para a grande maioria dos brasileiros, pode reduzir significativamente o risco de arritmia cardíaca.

Para a imensa maioria dos brasileiros, o dia só começa de verdade depois de uma boa xícara de café. Seja pelo aroma que invade a casa ou pela energia que desperta o corpo, a bebida é uma paixão nacional. E essa percepção é confirmada em números: uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) feita com 4.200 pessoas revelou que 96% dos entrevistados consomem café diariamente. Agora, um estudo inédito traz uma notícia que soa como música para os ouvidos dos cafezeiros: esse hábito pode ser um grande aliado da saúde do coração.
Uma pesquisa conduzida pela Universidade da Califórnia (UCSF) e pela Universidade de Adelaide, na Austrália, sugere que beber uma xícara de café por dia pode reduzir em até 39% o risco de desenvolver arritmia cardíaca, condição caracterizada por batimentos irregulares e acelerados.
Quebrando um paradigma
Por anos, a recomendação médica para pacientes com problemas cardíacos era evitar a cafeína. No entanto, o novo estudo publicado no último domingo (9) indica o contrário. “Médicos sempre recomendaram aos pacientes com arritmia minimizar o consumo de café, mas esse teste sugere que seu consumo é seguro e pode até mesmo proteger o indivíduo”, afirma Christopher Wong, um dos autores do estudo.
O eletrofisiologista Gregory Marcus explica os possíveis mecanismos por trás do benefício. “A cafeína é também um diurético, que pode reduzir a pressão arterial e, portanto, diminuir o risco de arritmia. Muitos outros ingredientes presentes no café também têm propriedades anti-inflamatórias que podem apresentar resultados positivos”, detalha o pesquisador.
Como o estudo foi feito
Para chegar à conclusão, os cientistas acompanharam 200 pacientes com histórico de fibrilação atrial, o tipo mais comum de arritmia. Após um procedimento para restaurar o ritmo cardíaco normal, metade do grupo foi instruída a beber uma xícara de café com cafeína por dia durante seis meses, enquanto a outra metade teve que cortar totalmente a substância.
Ao final do período, o resultado foi claro: o grupo que consumiu café apresentou um risco 39% menor de ter um novo episódio de arritmia. A descoberta é especialmente relevante para a população acima dos 60 anos e para pessoas com sobrepeso, grupos mais afetados pela condição, que atinge cerca de 10 milhões de adultos só nos Estados Unidos.
Para que esses resultados sejam confirmados, mais pesquisas são necessárias. Enquanto isso, a recomendação para quem tem problemas no coração é clara: antes de fazer qualquer alteração em seu consumo de cafeína, consulte seu médico para entender os riscos e benefícios para a sua saúde.