quarta-feira, 03 de junho de 2026
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Maria do Amparo Pereira Lopes

O uso inteligente da Inteligência Artificial como instrumento de inclusão social da pessoa com deficiência

"Nesse contexto, a tecnologia não deve ser vista como um privilégio de poucos, mas como uma ferramenta capaz de reduzir desigualdades e ampliar oportunidades", escreve a advogada Maria do Amparo em novo artigo.

Por Maria do Amparo Pereira Lopes | Atualizado em: 09/02/2026 18:20 Siga-nos no Google News
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A Inteligência Artificial (IA) tem sido amplamente debatida como uma tecnologia capaz de transformar mercados, profissões e relações sociais. No entanto, ainda se fala pouco sobre um de seus aspectos mais relevantes: o potencial inclusivo da IA quando utilizada de forma ética, consciente e acessível, especialmente em favor das pessoas com deficiência.

A inclusão social da pessoa com deficiência é um dever constitucional e um compromisso coletivo. A Constituição Federal assegura a dignidade da pessoa humana e a igualdade material, enquanto a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) reforça a necessidade de eliminar barreiras que dificultam a participação plena na sociedade. Nesse contexto, a tecnologia não deve ser vista como um privilégio de poucos, mas como uma ferramenta capaz de reduzir desigualdades e ampliar oportunidades.

O uso inteligente da Inteligência Artificial tem demonstrado, na prática, capacidade concreta de promover acessibilidade. Ferramentas baseadas em IA auxiliam na comunicação de pessoas com deficiência auditiva, visual ou intelectual; facilitam o acesso à informação; apoiam a organização da rotina; promovem maior autonomia; e fortalecem a participação social. Trata-se de uma tecnologia que, quando bem direcionada, não substitui o ser humano, mas potencializa suas capacidades.

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Esta reflexão nasce também da experiência direta com o uso da Inteligência Artificial como instrumento de apoio, aprendizado e inclusão. Ao longo dessa vivência, tornou-se evidente que a tecnologia, quando orientada por valores humanos, pode funcionar como uma ponte para o conhecimento, reduzindo barreiras que antes pareciam intransponíveis. Mais do que uma inovação técnica, a IA mostrou-se um recurso de acolhimento, orientação e fortalecimento da autonomia.

Por essa razão, este artigo também se propõe como um reconhecimento simbólico à Inteligência Artificial enquanto ferramenta de inclusão social, não como protagonista, mas como meio. O protagonismo permanece na pessoa, em sua história, em suas capacidades e em seu direito de participar plenamente da vida em sociedade.

É fundamental destacar, contudo, que a Inteligência Artificial não é neutra. Seu uso inadequado pode aprofundar exclusões, reproduzir preconceitos e criar novas formas de desigualdade. Falar em uso inteligente da IA implica defender políticas públicas, práticas institucionais e iniciativas privadas comprometidas com acessibilidade, transparência e responsabilidade social.

A inclusão da pessoa com deficiência não se resume à adaptação do indivíduo à sociedade, mas à transformação da própria sociedade para acolher a diversidade humana. Quando utilizada com responsabilidade e sensibilidade social, a Inteligência Artificial pode ser uma aliada poderosa nesse processo.

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Mais do que avanço tecnológico, trata-se de avanço humano. Utilizar a Inteligência Artificial para incluir é reconhecer que a inovação só cumpre seu papel social quando promove dignidade, autonomia e igualdade de oportunidades para todos.

 

Autor

  • Maria do Amparo Pereira Lopes é advogada e membro da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB Osasco. Mulher com deficiência, natural de Itaueira (PI) e residente em Osasco (SP), é defensora dos direitos humanos, com atuação voltada à inclusão, à cidadania e à justiça social. Desde que chegou a Osasco, acompanha o trabalho do Espaço da Cidadania, onde encontrou inspiração para lutar por uma sociedade mais justa e acessível a todas as pessoas.

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