Os riscos das dietas “milagrosas”
"É importante saber os perigos das dietas antes de se iniciar uma", alerta endocrinologista.

Fazer dieta não significa passar fome, mas comer de maneira controlada, em pequenas quantidades, respeitando os intervalos e mastigando bem os alimentos. É possível ter saúde e qualidade de vida sem abrir mão do prazer de uma comida saborosa.
Fazer dieta não significa passar fome
Porém, a endocrinologista Tatiana Camargo Pereira Abrão faz um alerta: nem todas as dietas fazem bem à saúde. “Equivocadamente, algumas orientam as pessoas a parar de consumir alimentos importantes ao organismo, como carboidratos, vitaminas, cálcio, ferro, fibras e até gorduras. À longo prazo, essas dietas colocam a saúde em risco”, avisou a médica, que indicou os sintomas da má alimentação: “A pessoa com inanição pode apresentar cabelos quebradiços, unhas enfraquecidas, pele ressecada, cansaço e tonturas, sem sequer imaginar que são sinais de uma carência nutricional”.
Segundo a endocrinologista, uma dieta errada, feita sem acompanhamento médico, pode causar o efeito inverso: o ganho de peso ao invés da perda. “No final da dieta, devido à exclusão de alguns alimentos e a consequente inanição, o metabolismo pode cair, levando ao aumento do peso. Muitas vezes, a pessoa com metabolismo mais lento interrompe a dieta subitamente e volta a comer de maneira exagerada e de tudo, gerando o efeito ‘sanfona’ e ganhando até mais peso do que antes”, disse.
Recomendações
“Equivocadamente, algumas orientam as pessoas a parar de consumir alimentos importantes ao organismo, alerta a a endocrinologista Tatiana Camargo Pereira Abrão
A especialista aponta alguns cuidados ao iniciar uma restrição alimentar. “É importante saber os perigos das dietas antes de se iniciar uma. O problema é que as pessoas aderem facilmente a receitas encontradas na internet e em revistas populares, sem quase nenhum conteúdo científico. Nem sempre são tão eficazes quanto prometem.”
Antes de abdicar de alguns alimentos, é importante buscar a orientação de um profissional. “Sempre é bom ter acompanhamento médico ou nutricional para a realização de dietas restritivas para perda de peso, para não correr riscos nutricionais e para não atrapalhar o metabolismo.”
É preciso cuidado com “dietas mirabolantes” que prometem grande perda de peso em pouco tempo. “Sempre se deve ficar atento a promessas ‘milagrosas’, como perda de cinco quilos por semana, dietas baseadas somente em shakes ou que eliminam algum grupo alimentar ou dieta recomendada sem nenhum embasamento científico”, destacou Tatiana.
A boa e velha reeducação alimentar, recorda a médica, ainda é o melhor caminho. “Com a qual se reaprende a comer de tudo um pouco, selecionando os alimentos e levando em conta o valor nutritivo de cada um deles, incorporando à dieta do dia a dia carboidratos integrais, frutas, verduras, legumes, proteínas e também gorduras em quantidade correta. É a melhor maneira de perder peso com saúde. Além disso, é importante comer de três em três horas – nunca ficando em jejum ao acordar – e seguir orientação profissional para ter um plano alimentar personalizado e individualizado”, orientou.