sábado, 22 de agosto de 2026
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Quando o trabalho começa a afetar a saúde mental

Cansaço constante, irritabilidade e dificuldade para se desligar do trabalho podem indicar que a rotina profissional está afetando a saúde mental.

Por Aline Ferrari | Atualizado em: 21/08/2026 16:10
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O trabalho pode ser fonte de realização, propósito e pertencimento, mas também pode se tornar um fator de sofrimento quando a pressão deixa de ser pontual e passa a fazer parte da rotina. A psicóloga e pedagoga Solange R. Aroeira, secretária das Mulheres, Direitos Humanos e Neurodiversidade de Cotia (SP), explica quais sinais podem indicar que a rotina profissional está começando a afetar a saúde mental.

Um dos primeiros sinais aparece quando o trabalho começa a ocupar um espaço excessivo na vida. A pessoa termina o expediente, mas continua pensando nas tarefas, respondendo mensagens, verificando e-mails ou preocupada com problemas profissionais.

“Pode começar a apresentar irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, alterações no sono, cansaço constante e perda de prazer em atividades que antes eram importantes”, explica Solange.

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Para a profissional, o problema não está necessariamente em passar por períodos de maior pressão. O sinal de alerta surge quando a cobrança se torna permanente e a pessoa já não consegue se recuperar.

Quando o cansaço deixa de ser pontual?

Períodos de trabalho intenso podem acontecer, mas é importante observar quando o corpo e a mente não conseguem mais se recuperar mesmo após momentos de descanso.

Solange recomenda observar três aspectos: frequência, intensidade e impacto. Acordar cansado constantemente, sentir-se sempre no limite, perder a motivação ou perceber mudanças importantes no comportamento e nos relacionamentos são situações que merecem atenção.

“Não devemos romantizar o esgotamento. Estar permanentemente cansado não é sinônimo de competência ou comprometimento”, afirma.

A psicóloga também chama atenção para a ideia de que reconhecer os próprios limites representa uma fraqueza. Para ela, admitir que chegou ao limite significa reconhecer uma necessidade humana e pode ser um passo importante para buscar mudanças.

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Ansiedade e falta de concentração podem estar relacionadas ao trabalho?

Irritabilidade, ansiedade, dificuldade para dormir e falta de concentração podem estar relacionadas à rotina profissional, mas não devem ser analisadas de maneira isolada.

É necessário observar quando os sintomas começaram, com que frequência aparecem e qual é o contexto em que a pessoa está inserida. Excesso de demandas, pressão, conflitos, falta de autonomia, insegurança, relações abusivas e ausência de reconhecimento ou apoio podem contribuir para o sofrimento.

“O trabalho pode ser uma fonte de realização, pertencimento e propósito, mas também pode se transformar em um fator de adoecimento quando as condições não são saudáveis”, explica.

Quando é difícil se desligar do trabalho?

Um dos comportamentos que podem indicar que o trabalho está afetando a saúde mental é a dificuldade de se desligar das atividades profissionais fora do expediente.

Isso pode acontecer quando a pessoa responde mensagens constantemente, verifica e-mails à noite, leva problemas do trabalho para a cama ou sente culpa quando está descansando.

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Outro sinal é não conseguir aproveitar momentos de lazer porque a mente permanece concentrada na próxima tarefa ou em problemas que precisam ser resolvidos.

Para Solange, é necessário mudar a percepção de que o descanso precisa ser conquistado depois de um determinado nível de produtividade.

“Descanso não é prêmio por ter produzido. Descanso é uma necessidade humana. A nossa vida não pode ser reduzida à produtividade”, afirma.

O que o excesso de pressão pode provocar?

Quando o estresse se torna constante, pode contribuir para exaustão, irritabilidade,  ansiedade, alterações no sono, dificuldade de concentração, afastamento das pessoas e perda de sentido em relação ao próprio trabalho.

Em situações de esgotamento ocupacional, a pessoa pode chegar a um ponto em que já não encontra energia ou significado naquilo que antes realizava.

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Porém, Solange ressalta que a discussão sobre saúde mental no trabalho não deve colocar toda a responsabilidade sobre o trabalhador.

“Não podemos transformar a saúde mental em mais uma responsabilidade individual em uma sociedade que, muitas vezes, produz condições de trabalho adoecedoras”, afirma.

Segundo a psicóloga, não basta orientar o profissional a desenvolver ferramentas individuais para lidar com o estresse quando ele está submetido continuamente a excesso de trabalho, metas impossíveis, assédio ou falta de descanso.

Saúde mental também é responsabilidade das empresas

Para preservar a saúde mental no ambiente profissional, algumas atitudes individuais podem ajudar, como reconhecer os próprios limites, ter períodos reais de descanso, preservar os vínculos afetivos, manter atividades que não estejam relacionadas ao trabalho, cuidar do sono e estabelecer limites possíveis para a disponibilidade profissional.

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Também é importante falar sobre o que está acontecendo e procurar ajuda quando necessário.

Ao mesmo tempo, a psicóloga reforça que empresas, gestores e instituições também têm responsabilidade na construção de ambientes mais saudáveis, com relações respeitosas, condições adequadas, pausas, equilíbrio e espaço para diálogo.

“Cuidar da saúde mental no trabalho não significa ensinar as pessoas a suportarem qualquer condição. Significa também construir condições de trabalho que permitam que as pessoas trabalhem sem precisar adoecer para provar seu comprometimento”, destaca.

A discussão reforça que cuidar da saúde mental vai além de lidar com crises. Também envolve reconhecer limites, observar mudanças no comportamento e construir relações e ambientes que favoreçam qualidade de vida.

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Escrito por

Aline Ferrari

Aline Ferrari, estagiária na Redação do Visão Oeste, sob a supervisão da editora Jenifer Oliveira
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