quinta-feira, 04 de junho de 2026
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Antônio Carlos Roxo

Reflexões sobre Deus! Interpretações…

Em novo artigo, Antônio Carlos Roxo reflete sobre Deus, fé e ateísmo através de anedotas curiosas, citando de Pepe Mujica a uma experiência pessoal com Ayahuasca.

Por Antônio Carlos Roxo | Atualizado em: 31/12/2025 16:03
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Dois amigos iam para uma festa, quando, ao passarem por uma lagoa, o festeiro exclamou feliz: “Hoje vamos nos esbaldar!” O outro, de bate-pronto: “Se Deus quiser!” Como resposta, recebe também de bate-pronto: “Deus querendo ou não, vou para a festa.” Deus irritou-se e imediatamente o transformou em um sapo, que ficou na lagoa. Anos depois, o amigo, ao passar ao lado da lagoa indo para nova festa, lembrou-se do acontecido e rogou ao Todo-Poderoso que liberasse o amigo do castigo. Deus, misericordioso, o atendeu e “plim”, o transformou novamente em ser humano. Informado da nova festa, alegre e resoluto, exclamou: “Vamos logo para a festa!” Ao que o amigo, reverente e certo do aprendizado: “Se Deus quiser, né?” Recebendo como resposta: “Se Ele não quiser, a lagoa está aí!”

O ex-presidente do Uruguai, figura humana exemplar, de uma humildade e honestidade ímpar, José Alberto “Pepe” Mujica Cordano, ao ser questionado se acreditava em Deus, respondeu: “Sou ateu, mas espero estar errado!”

Richard Dawkins, intelectual ateu dos mais conhecidos, autor, entre outros, do livro “Deus, um Delírio” (2006), indagado se, ao morrer, desse de frente com Deus, foi taxativo: “Desculpe-me, senhor, mas não havia nenhuma evidência plausível de sua existência!” (resposta citada em texto de Carolina Motta publicado no Diário da Região na década de 1990).

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Tempos atrás, meu filho, Pedro Motta, adepto da UDV, União do Vegetal, religião de origem amazônica, que usa em seus rituais o chá Ayahuasca, ao meu comentário de que seria alucinógena, me desafiou a experimentar e tirar minhas conclusões. Desafio aceito, fui autorizado a participar da cerimônia. Sendo natural, neste caso, que o pensamento seja elevado para questões transcendentais. Assim, firmei o sentido no mistério do que seria Deus. Ao fazer, uma voz, externa a mim, mas que seria minha própria voz, disse: “Eu não tenho a mínima ideia do que seja!” Ao que outra voz, não minha, acrescenta: — Oh, seu panaca, não é a mínima ideia do que seja, você não tem a mais remota ideia do que seja! Ao ser indagado pelo mestre da cerimônia sobre a borracheira (elevação da consciência), narrei a experiência, ao que o mestre concluiu: — Achamos que sabemos o que seja Deus, mas na verdade não sabemos nada!

Em abraço ao museu de Osasco organizado pelo MODEPHAC – Movimento em Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Osasco, como denúncia pelo seu abandono e pressão pela sua revitalização, ao fazer uso da palavra, Padre Xavier enfatizou seu caráter ecumênico; o ato não deveria ser partidário, nem religioso, e sim, de toda a comunidade. Professor Murilo da Unifesp, ao meu lado, sábio como sempre, exclamou: — Por que não conheci um padre como esse no passado? Hoje eu não seria ateu!

Penso cá comigo mesmo: tem horas que, entendendo ou não, intuímos que o Altíssimo está nos mandando de novo para a lagoa, nos transformando no sapo incrédulo.

 

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Autor

  • Antônio Carlos Roxo é Economista pela Universidade Federal de Juiz de Fora, mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais e doutor pela Universidade de São Paulo.

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