São Paulo ganhará réplica do quarto de Anne Frank no Memorial do Holocausto
"Para ninguém esquecer o que aconteceu", afirma uma sobrevivente do Holocausto sobre o novo espaço na capital paulista, previsto para ser entregue em janeiro de 2026.

A cidade de São Paulo se tornará a segunda no mundo a abrigar uma réplica do quarto onde a jovem judia Anne Frank viveu escondida durante a Segunda Guerra Mundial. Com entrega prevista para janeiro de 2026, o Espaço Anne Frank será construído em um anexo ao Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto, no Bom Retiro, região central da capital.
O projeto, que recebeu autorização da Fundação Anne Frank, em Amsterdã, recriará fielmente o anexo secreto onde a adolescente e sua família se esconderam por dois anos para escapar da perseguição nazista. Com um investimento total de R$ 26 milhões, sendo R$ 2 milhões aportados pela Prefeitura de São Paulo, o local integrará o circuito de museus da cidade.
“A história de Anne Frank traz uma lição universal sobre intolerância e humanidade. Ao criar este espaço, queremos garantir que as novas gerações conheçam o que aconteceu para que tragédias como o Holocausto nunca mais se repitam”, afirmou o prefeito Ricardo Nunes durante o anúncio do projeto nesta terça-feira (12).
Museu do Holocausto / Foto: Sergio Barzaghi / SECOM
Autora de “O Diário de Anne Frank”, um dos livros mais lidos do mundo, a jovem se tornou um símbolo da resistência e da memória do Holocausto. A expectativa é que o novo espaço em São Paulo receba 150 mil visitantes em seu primeiro ano, com uma programação de visitas garantida para todas as escolas municipais.
Para a sobrevivente do Holocausto Suzana Venetianer, de 84 anos, a iniciativa é fundamental para que a história não seja esquecida. “Vou completar 84 anos e ainda tenho na memória tudo o que passei. Mas daqui a pouco não vou mais me lembrar. Esse espaço será muito importante, para ninguém esquecer tudo o que aconteceu”, defendeu Suzana, que esteve em um campo de concentração e foi separada dos pais.