quinta-feira, 04 de junho de 2026
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Opinião

Seis meses depois: o ano que você quer ainda está ao seu alcance

O ano que você sonhou ainda não aconteceu? Neste artigo, a psicóloga Silvia Rezende (USP) explica por que julho pode ser o seu "novo janeiro", com dicas práticas para reavaliar metas, organizar finanças e recomeçar com propósito.

Por Silvia Rezende | Atualizado em: 29/08/2025 20:23
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Metade de 2025 já passou. E, para muitos brasileiros, especialmente neste inverno que abraça o Sul e o Sudeste do Brasil com seus dias introspectivos, essa frase chega como um convite à reflexão — quase como uma pergunta sussurrada: você está vivendo o ano que sonhou ou apenas deixando os dias passarem?

O frio de junho trouxe não só casacos e cafés quentes, mas também uma pausa natural, um ritmo mais lento que permite olhar para si mesmo. E foi nesse ritmo que muitos perceberam o desencontro entre planos traçados em janeiro e a realidade atual. No entanto, segundo um estudo da American Psychological Association, há esperança: pessoas que revisam e ajustam seus planos no meio do ano têm 63% mais chances de alcançar suas metas até dezembro. O dado é animador e revela que não é preciso esperar um novo ciclo para recomeçar — basta decidir.

Recomeçar, neste ponto do ano, não é sobre jogar fora tudo que não deu certo. É sobre parar com honestidade, reavaliar com coragem e seguir com propósito. É compreender que metas desconectadas da realidade viram obstáculos emocionais, e que transformá-las em objetivos smart — específicos, mensuráveis, atingíveis, relevantes e com prazo — pode ser o primeiro passo rumo à ação concreta. Julho, então, deixa de ser só mais um mês e passa a representar um ciclo novo: uma missão de 30 dias capaz de trazer sentido e foco à rotina. Que tal começar com pequenas metas como praticar atividade física três vezes por semana ou cortar gastos não essenciais?

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Mas não é só o tempo que importa. Energia é uma moeda poderosa, e de nada adianta uma agenda perfeitamente preenchida se o corpo e a mente estão exaustos. Investir em rituais de bem-estar — como dormir melhor, alimentar-se com equilíbrio, fazer pausas conscientes e reservar uma hora diária só para você, sem distrações digitais — pode trazer mais resultado do que qualquer lista de tarefas.

Os dados também mostram que mais de 70% dos brasileiros iniciam o segundo semestre com dívidas. Organizar as finanças, usar ferramentas como planilhas e aplicativos de controle financeiro, enfrentar números sem medo — tudo isso é parte essencial da virada. E essa virada não precisa ser épica: ela pode começar com uma pequena vitória, como dizer “não” a algo que não faz bem, finalizar uma conversa pendente ou simplesmente se levantar da cama no dia mais difícil.

No caminho, é fundamental escolher bem com quem se anda. Silenciar comparações nas redes sociais e se aproximar de vozes que impulsionam, como mentores, grupos de apoio ou referências em desenvolvimento pessoal pode transformar solidez em inspiração.

Então, talvez a resposta para perguntas como “Você gosta do seu trabalho?”, “Está mais perto de realizar aquele sonho antigo?”, ou “Você está apaixonado — por alguém ou por si mesmo?” ainda seja “não”. E tudo bem. Porque julho — esse mês discreto — é, na verdade, um convite para o seu próprio ano novo. Que ele comece hoje. Que ele comece com você. E com o que você tem. Afinal, “a felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso do que temos”, como já nos disse Thomas Hardy, escritor inglês, que viveu no século passado.

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Autor

  • Silvia Rezende é graduada em Pedagogia e Psicologia pela PUC-SP, com especialização em Terapia Comportamental Cognitiva (IPq HC FMUSP/USP). É coordenadora técnica da Clínica LARES e professora do IPq HC FMUSP/USP, atuando também como psicóloga colaboradora no IPq e no PROSOL (FMUSP).

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