Setor de bares projeta retomada após queda de 26% no movimento com crise do metanol
Nesta quinta-feira (23), a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) divulgou uma análise sobre a crise no seguimento e apresentou 10 propostas para aumentar o controle e a segurança na comercialização de bebidas no país.
Após a crise gerada pela adulteração de bebidas com metanol, que impactou o movimento em bares e restaurantes, a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) projeta uma retomada do setor nas próximas semanas. Em uma nota técnica divulgada nesta quinta-feira (23), a entidade também apresentou dez propostas para combater a falsificação, incluindo a criação de um Observatório Nacional do Mercado de Bebidas.
O problema causou uma queda de aproximadamente 26% no movimento de bares e casas noturnas no estado de São Paulo entre o fim de setembro e o início de outubro. No entanto, com o avanço das investigações policiais e a desarticulação de esquemas criminosos, a Fhoresp diz acreditar que a confiança do consumidor está sendo restabelecida.
“O setor sentiu essa queda. O que é natural. Afinal, as pessoas ficaram com medo”, afirma Edson Pinto, diretor-executivo da Federação. “De qualquer maneira, a segurança do cliente está voltando. As próximas semanas devem ser melhores em faturamento e já um aquecimento para o verão e o fim do ano”, aposta o executivo.
Ainda segundo a federação, apesar da ligeira queda, o setor de alimentação fora do lar projeta um faturamento de R$ 668 bilhões no Brasil este ano, um crescimento de 7,1% em relação a 2024.
Propostas para combater a falsificação
Para evitar novas crises, a Fhoresp propõe a criação do Observatório Nacional do Mercado de Bebidas, que seria gerenciado pela própria entidade em parceria com o governo e institutos de pesquisa. O objetivo é monitorar os indicadores econômicos e sanitários do segmento de forma contínua.

Intoxicação por metanol matou sete pessoas no estado de SP / Freepik
Outras medidas sugeridas incluem a criação de um sistema nacional de rastreabilidade de bebidas e a implementação da logística reversa de garrafas, para impedir que os vasilhames vazios sejam reutilizados por redes de pirataria.
Segundo Edson Pinto, a cooperação entre o setor e o poder público é fundamental para resolver o problema estrutural da falsificação no país. “Desde o primeiro momento, a Fhoresp se colocou à disposição do Estado e do mercado e apresentou caminhos para combater as ilegalidades. O Brasil tem muito a avançar no controle de bebidas”, completa.