quinta-feira, 04 de junho de 2026
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Solidão no fim de ano: psicanalista explica por quê as festas podem trazer melancolia

Com a aproximação das festas de fim de ano, um sentimento de melancolia pode surgir para muitas pessoas, mesmo em meio a um clima de celebração.

Por Redação | Atualizado em: 28/11/2025 17:36
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Com a aproximação das festas de fim de ano, um sentimento de melancolia pode surgir para muitas pessoas, mesmo em meio a um clima de celebração. Segundo o psicanalista Betto Alves, essa sensação, muitas vezes chamada de “síndrome de fim de ano”, está diretamente ligada ao crescente isolamento social e à falta de conexões humanas profundas.

“As pessoas estão cada vez mais conectadas digitalmente, mas emocionalmente desconectadas. Vivemos um paradoxo: nunca foi tão fácil falar com alguém, e nunca foi tão difícil ser realmente ouvido”, explica Betto.

Dados globais reforçam essa percepção. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma em cada seis pessoas no mundo sofre com a solidão, condição associada a mais de 870 mil mortes por ano. No Brasil, 18,6% dos domicílios são de apenas uma pessoa, evidenciando uma tendência ao isolamento.

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Segundo o psicanalista, o ser humano é, por natureza, um ser de vínculo. A ausência de laços reais e do contato humano cria uma carência emocional silenciosa. “A ausência de laços reais cria um vazio que nenhuma rede social ou sucesso profissional consegue preencher. As relações são o oxigênio da psique”, ressalta.

O fim do ano, para o especialista, funciona como um “espelho emocional”. É um momento de pausa que leva muitos a perceberem o distanciamento de si mesmos e dos outros. “O silêncio do Natal é, para muitos, o barulho da solidão. Quando falta afeto, o brilho das festas se transforma em um lembrete doloroso de tudo o que não se viveu”, diz Betto.

No entanto, o psicanalista destaca que esse sentimento não precisa ser uma sentença. Ele pode ser um sinal de alerta e um convite para a mudança. “A solidão pode ser transformadora se a pessoa olhar para ela com honestidade. É o convite para reconstruir laços (…) e entender que pedir ajuda não é fraqueza, é maturidade emocional”, finaliza.

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