Tarcísio, Nunes e ministro pedem rompimento de contrato da Enel em São Paulo
Após apagões recorrentes, autoridades se unem e levam à Aneel pedido para encerrar concessão; ministro de Minas e Energia diz que empresa "perdeu as condições" de operar.

Em uma ação conjunta, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pediram formalmente o fim do contrato de concessão da Enel Distribuição na Grande São Paulo. A decisão é uma resposta direta às falhas recorrentes da empresa, culminando na crise da última semana, que deixou milhões de clientes sem energia por dias.
Após uma reunião entre as três autoridades, ficou definido que será levado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) um pedido de caducidade do contrato, a medida mais severa prevista, que implica no rompimento da concessão.
O governador Tarcísio de Freitas afirmou que a situação chegou a um ponto limite e que não há mais alternativas. “É insustentável a situação da Enel em São Paulo, ela não tem mais condição de prestar serviço, tem um problema reputacional muito sério, tem um problema de deixar a nossa população na mão de forma constante”, disse o governador.
O prefeito Ricardo Nunes reforçou a crítica, apontando a falta de preparo da empresa para lidar com eventos climáticos adversos, que se tornaram mais frequentes. A capital concentra 75% dos clientes da Enel na região, com 5,8 milhões de unidades consumidoras.
A união dos três entes federativos foi o ponto central da manifestação do ministro Alexandre Silveira, que garantiu um processo rigoroso contra a concessionária. “Nós estamos completamente unidos, governo federal, governo do estado e governo do município de São Paulo, para iniciar um processo rigoroso, regulatório e esperamos que a Aneel possa dar a resposta o mais rápido possível ao povo de São Paulo”, declarou.
Silveira finalizou afirmando que a empresa não tem mais como continuar operando na maior metrópole do país. “A Enel perdeu, inclusive do ponto de vista reputacional, as condições para continuar à frente do serviço de concessão em São Paulo”, disse o ministro.
Os prejuízos do apagão são incalculáveis. Somente no setor de hotéis, bares e restaurantes, estima-se uma perda de R$ 100 milhões e milhares de estabelecimentos afetados, de acordo com a Federação.