quarta-feira, 03 de junho de 2026
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Cidades

Vira-lata treinada para detectar sangue vira perita da Polícia Científica de SP

Resgatada das ruas, a cadela Savana foi treinada e tornou-se o segundo cão perito da Polícia Científica de SP, atuando em crimes violentos.

Por Aline Ferrari | Atualizado em: 24/07/2025 10:42
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A Polícia Científica de São Paulo ganhou um reforço de quatro patas: Savana, uma cadela sem raça definida resgatada das ruas, tornou-se o segundo cão perito do estado. Treinada para localizar vestígios de sangue humano, mesmo quando invisíveis ou parcialmente removidos, ela atua na elucidação de crimes contra a vida ao lado do tutor e perito criminal João Henrique Machado, no Instituto de Criminalística de São José dos Campos.

Savana foi encontrada filhote, em situação de desnutrição, próximo à casa de Machado. A princípio, o objetivo era encaminhá-la para adoção, mas a convivência revelou um faro apurado e disposição para o trabalho. Inspirada no desempenho de Mani, o primeiro cão perito do estado, a vira-lata passou por dois anos de treinamento e se destacou pela eficiência na biodetecção de vestígios biológicos.

Vira-lata Savana vira cão perito da Polícia Científica e ajuda a solucionar crimes com faro apurado para sangue humano. Foto: SSP

A atuação de cães como ferramenta de investigação é um projeto pioneiro no Brasil. Além de reduzir custos em relação a métodos tradicionais, como o uso do reagente luminol, os cães apresentam maior precisão, já que são treinados para identificar exclusivamente sangue humano. “Nas grandes áreas, o cão poupa tempo e recursos ao indicar exatamente onde está o vestígio de interesse”, explica Machado.

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Os treinamentos incluem atividades de obediência, detecção e simulações de locais comuns na perícia, como veículos, roupas e terrenos amplos. A rotina de Savana envolve testes frequentes em horários variados, a fim de mantê-la preparada para qualquer situação. A cadela é capaz de detectar sangue em locais onde o crime ocorreu há meses, ou até mais de um ano, conforme a conservação da amostra.

Vira-lata Savana vira cão perito da Polícia Científica e ajuda a solucionar crimes com faro apurado para sangue humano. Foto: SSP

O método melhora a qualidade dos exames periciais e reduz a perda de evidências. Quando encontra um vestígio, Savana sinaliza o local sentando ou deitando em frente ao material. A recompensa? Sua bola de borracha preferida.

A parceria entre perito e cadela vai além do trabalho. Machado, que também é médico veterinário e mestrando na Unifesp, desenvolve um protocolo oficial de treinamento para ampliar o uso de cães na Polícia Científica. “A visão humana somada ao faro canino, com base científica, cria um superdepartamento de perícia. O objetivo é aumentar a resolução dos casos no estado”, afirma.

Vira-lata Savana vira cão perito da Polícia Científica e ajuda a solucionar crimes com faro apurado para sangue humano. Foto: SSP

Para o futuro, a expectativa é que cada núcleo da Polícia Científica paulista conte com seu próprio cão perito. No entanto, nem todo animal é apto para o trabalho. Foco, sociabilidade, energia e interesse em atividades repetitivas são características fundamentais. Cães muito agressivos ou de grande porte são descartados.

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Hoje, além de colega de profissão, Savana é considerada parte da família por Machado. “Quando me separo dela, sou eu quem sente mais saudade. Criamos uma conexão muito forte nesses quatro anos”, finaliza o perito.

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Escrito por

Aline Ferrari

Aline Ferrari, estagiária na Redação do Visão Oeste, sob a supervisão da editora Jenifer Oliveira
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