Vítima de intoxicação por metanol está em coma há um mês em Osasco
Rafael Anjos Martins, de 27 anos, está internado em um hospital particular em Osasco, em coma. A causa: a ingestão de uma bebida contaminada com metanol, uma substância altamente tóxica e de venda proibida para consumo humano, comprada em uma adega na Zona Sul de São Paulo.

Desde o dia 1º de setembro, Rafael Anjos Martins, de 27 anos, está internado em um hospital particular em Osasco, em coma. A causa: a ingestão de uma bebida contaminada com metanol, uma substância altamente tóxica e de venda proibida para consumo humano, comprada em uma adega na Zona Sul de São Paulo.
O caso foi exibido em reportagem do “Fantástico”, da TV Globo, no último domingo (28). Amigos de Rafael contaram que o grupo adquiriu gim, energético e gelo de coco em uma adega no Jardim Malia II, bairro da Cidade Dutra. Dos cinco jovens que consumiram os produtos no dia 30 de agosto, quatro apresentaram sintomas de intoxicação.
“Tá tudo rodando, parece que tô com pressão baixa”, relatou o jovem em um áudio enviado a uma amiga horas após o consumo, e que foi divulgado na reportagem. Mas o que parecia ser apenas uma ressaca evoluiu de forma avassaladora para cegueira, confusão mental e, por fim, o coma.
A mãe de Rafael, a enfermeira Helena Martins, relatou em entrevista ao “Fantástico” que o filho teve danos neurológicos e no nervo óptico. “Ele está respirando com a ajuda de ventilação mecânica. Pelos exames, não há mais fluxo sanguíneo. É irreversível”, desabafou, visivelmente abalada.
Helena, mãe de Rafael em entrevista ao “Fantástico/ Reprodução/TV Globo
Outras vítimas do mesmo grupo também sofreram consequências. Diogo Marques de Sousa, de 23 anos, teve perda temporária da visão e fortes dores de cabeça. Nathalia Carozzi Gama ficou cinco dias na UTI e segue em tratamento para sequelas neurológicas, como a perda de equilíbrio.
Investigações
A Polícia Civil de São Paulo está investigando a origem das bebidas e já ouviu os responsáveis pela adega na Zona Sul. Duas garrafas de gim e outros produtos lacrados foram apreendidos e encaminhados para perícia, que deve confirmar a presença de metanol.
Este, no entanto, não é um caso isolado. O governo estadual confirmou, desde junho deste ano, seis casos de intoxicação por metanol ligados ao consumo de bebidas adulteradas, incluindo a morte de três pessoas: um homem de 58 anos e outro de 45 anos em São Bernardo do Campo, e um de 54 anos na capital. Atualmente, dez casos estão sob investigação.
O que é o metanol?
O metanol, ou álcool metílico, é um composto químico inflamável, de uso industrial em produtos como solventes, tintas e anticongelantes. Sua ingestão, mesmo em pequenas quantidades, é extremamente tóxica e pode ser fatal, provocando cegueira, falência renal, coma e morte.
Sintomas da intoxicação
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, os sintomas de intoxicação por metanol podem se manifestar entre 6 e 24 horas após o consumo e incluem: náuseas e vômitos, dor abdominal, tontura e confusão mental, visão turva ou perda de visão e convulsões. Em casos graves, a vítima pode apresentar falência de órgãos.
Alerta à população
O Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) emitiram um alerta aos profissionais de saúde e à população. A recomendação também é para que bares, adegas e outros estabelecimentos verifiquem a procedência das bebidas comercializadas.
Para o consumidor, a orientação é clara: adquirir bebidas alcoólicas apenas em locais confiáveis e verificar sempre a presença do selo fiscal, rótulo e lacre de segurança. Em caso de suspeita de intoxicação após o consumo de qualquer bebida, procurar imediatamente o serviço de saúde mais próximo.