sábado, 18 de julho de 2026
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Maria do Amparo Pereira Lopes

Acessibilidade: entre o trabalho e o lazer, o direito de viver plenamente

Em sua coluna no Visão Oeste, a advogada Maria do Amparo relata como uma viagem a Paris revelou um novo patamar de acessibilidade e inclusão, inspirando ainda mais sua luta por direitos e transformação social no Brasil: "Aprender sobre inclusão é algo que não se limita a um ambiente formal — é parte do nosso olhar, da nossa escuta e da nossa responsabilidade".

Por Maria do Amparo Pereira Lopes | Atualizado em: 29/08/2025 13:51 Siga-nos no Google News
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Meu nome é Maria do Amparo Pereira Lopes. Sou advogada e defensora incansável dos direitos das pessoas com deficiência. Encontrei na advocacia uma ponte entre a justiça que acredito e a transformação social que sonho construir.

Minha trajetória no Direito é marcada por uma escuta sensível, por lutas reais e pela convicção de que a dignidade humana não deve ser negociada.

Sou uma mulher, negra, com deficiência, persistente e movida por valores. Luto por um país onde ninguém seja deixado para trás. E, enquanto houver barreiras, estarei firme — para desafiá-las, superá-las e transformá-las em caminhos.

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Depois de escrever sobre acessibilidade no trabalho e, em seguida, no lazer, hoje compartilho uma experiência vivida — e sentida — diretamente de Paris, cidade onde estou em uma viagem inicialmente planejada para descansar. Mas foi impossível não transformar esses dias em aprendizado.

Nestes 15 dias por aqui, aprendi o que não aprendi em toda a minha vida. Vi de perto uma sociedade que respeita, organiza e inclui as pessoas com deficiência de forma natural e efetiva. Visitei uma organização do governo voltada para os assuntos relacionados à pessoa com deficiência — e cada detalhe me impactou profundamente.

O Museu do Louvre, com toda a sua grandiosidade, é um exemplo de como o lazer também deve ser acessível. Logo na entrada, há gratuidade tanto para a pessoa com deficiência quanto para o acompanhante. O acesso é facilitado, com cadeiras de rodas disponíveis, elevadores e funcionários sempre prontos para ajudar. E, para quem deseja visitar obras como a famosa Monalisa, há o apoio de seguranças que acompanham a pessoa até a frente do quadro.

É impossível traduzir aqui todas as experiências positivas que vivi — o tempo e o papel são curtos para tantas vivências transformadoras.

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Também visitei a Casa dos Advogados, um espaço que acolhe, orienta e respeita as pessoas com deficiência. Acompanhada de uma advogada internacional, tive o privilégio de conhecer essa estrutura que se preocupa com inclusão em todas as suas dimensões.

Assisti a uma audiência no Palácio da Justiça das Grandes Instâncias e, mesmo em um momento de lazer, percebi que aprender sobre inclusão e acessibilidade é algo que não se limita a um ambiente formal — é parte do nosso olhar, da nossa escuta e da nossa responsabilidade.

Embora estivesse em Paris por lazer, foi irresistível não dedicar parte do meu tempo a levar comigo uma bagagem de conhecimento. Como colaboradora do Espaço da Cidadania e vice-presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/Subseção de Osasco, sinto-me ainda mais comprometida com essa causa.

Espero, sinceramente, que este relato contribua para o avanço da inclusão — e que, juntos, possamos transformar realidades, remover barreiras e garantir o direito mais essencial de todos: viver plenamente.

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Autor

  • Maria do Amparo Pereira Lopes é advogada e membro da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB Osasco. Mulher com deficiência, natural de Itaueira (PI) e residente em Osasco (SP), é defensora dos direitos humanos, com atuação voltada à inclusão, à cidadania e à justiça social. Desde que chegou a Osasco, acompanha o trabalho do Espaço da Cidadania, onde encontrou inspiração para lutar por uma sociedade mais justa e acessível a todas as pessoas.

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