Casas Bahia pede recuperação judicial após fechar lojas em Osasco e região
O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo neste domingo (16), em meio a uma ampla reestruturação financeira que inclui o fechamento de centenas de lojas no país.

O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo neste domingo (16), em meio a uma ampla reestruturação financeira que inclui o fechamento de centenas de lojas no país. A medida foi anunciada um dia após a companhia divulgar um prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
A crise também teve reflexos na região de Osasco. Na última sexta-feira (14), o Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (SECOR) informou o fechamento de unidades das Casas Bahia em Osasco, Barueri e Taboão da Serra. Segundo a entidade, trabalhadores relataram ter chegado aos estabelecimentos para cumprir a jornada e encontrado as portas fechadas.
De acordo com informações divulgadas pelo Valor Econômico, a companhia pretende utilizar a recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.
O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, unidade especializada em processos de falência e recuperação judicial. A medida envolve a Casas Bahia e outras nove empresas ligadas ao grupo.
Entre as empresas incluídas no processo estão ASAP Log – Logística e Soluções; ASAP Log; CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística; Cntlog Express Logística e Transporte, adquirida em 2022; Globex Administração e Serviços; Cnova Comércio Eletrônico; Integra Soluções para Varejo Digital; Casas Bahia Tecnologia e Indústria de Móveis Bartira.
Segundo a companhia, a decisão recebeu aprovação do Conselho de Administração e do acionista controlador.
Fechamento de lojas em Osasco e região
O anúncio ocorre poucos dias depois de trabalhadores de unidades da Casas Bahia em cidades da região relatarem o encerramento das atividades dos estabelecimentos.
Loja da Antônio Agu, no Centro de Osasco / Foto: Reprodução
O SECOR afirmou que recebeu relatos de funcionários que compareceram normalmente ao trabalho na sexta-feira (14), mas encontraram as lojas fechadas. De acordo com o sindicato, a entidade não teria sido comunicada previamente sobre o encerramento das unidades nem sobre o número de trabalhadores que seriam afetados.
O fechamento faz parte de uma estratégia mais ampla de redução da estrutura física da empresa. Ao todo, 298 lojas foram encerradas, segundo informações divulgadas pela companhia e pelo Valor Econômico. O número representa cerca de 30% da rede que estava em operação no país.
O sindicato informou ainda que avalia medidas coletivas relacionadas aos trabalhadores atingidos pelos fechamentos.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões
O pedido de recuperação judicial foi apresentado um dia depois da divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026.
Entre abril e junho, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. A maior parte desse valor, cerca de R$ 9,1 bilhões, estaria relacionada a ajustes contábeis extraordinários e despesas vinculadas ao processo de reestruturação, segundo a própria empresa.
A companhia sustenta que esses efeitos não representam, de forma imediata, uma saída equivalente de recursos do caixa.
A recuperação judicial é um instrumento previsto na legislação brasileira para empresas que enfrentam dificuldades financeiras. O procedimento permite a negociação das dívidas com os credores sob acompanhamento da Justiça, com o objetivo de evitar a falência e criar condições para a continuidade das atividades.
Reestruturação começou em 2023
A Casas Bahia afirma que o pedido representa uma nova etapa do Plano de Transformação, iniciado em 2023 com o objetivo de tornar a operação financeiramente sustentável. Entre as medidas adotadas estão a redução da rede de lojas, diminuição dos estoques e cortes de despesas. A estratégia também prevê a concentração de investimentos em operações consideradas mais rentáveis.
A empresa afirma que a redução da quantidade de unidades físicas busca melhorar a rentabilidade das lojas que permanecem abertas e aumentar a capacidade de geração de caixa. Com o pedido de recuperação judicial, o grupo passa agora a buscar uma reorganização de suas obrigações financeiras sob supervisão judicial