Com confissão anulada, acusado de matar Vitória Regina vai a júri popular
Maicol Sales do Santos permanece preso e responderá por feminicídio, sequestro e ocultação de cadáver.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou que Maicol Sales do Santos, réu pela morte da adolescente Vitória Regina de Sousa, de 17 anos, em Cajamar, será julgado por um Júri Popular. Na decisão, proferida na última semana, o juiz responsável pelo caso também anulou a confissão que o acusado havia feito em março, apontando falhas na forma como o depoimento foi colhido.
A anulação da confissão foi o ponto central da decisão do juiz Marcelo Henrique Mariano. Ele considerou o depoimento extrajudicial, pois foi obtido sem a presença de um advogado de defesa. O magistrado listou irregularidades, como cortes na gravação em vídeo.
Como consequência, o juiz determinou que qualquer menção ao conteúdo dessa confissão será proibida durante o julgamento, para não influenciar a decisão dos jurados. A defesa do réu já questionava a validade do depoimento, alegando que ele foi obtido sob coação e ameaça. A data do julgamento ainda não foi divulgada.
Apesar da anulação, outras provas sustentam a acusação contra Maicol, que era vizinho da vítima. Laudos periciais do Instituto Médico Legal (IML), baseados em exames de DNA, confirmaram que o sangue encontrado no carro e na casa dele pertence a Vitória.
O réu permanece preso desde o dia 8 de março. Ele foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no dia 29 de abril pelos crimes de feminicídio, sequestro, ocultação de cadáver e fraude processual.
Relembre o caso
Vitória Regina de Sousa desapareceu em 26 de fevereiro deste ano. Seu corpo foi encontrado uma semana depois, em 5 de março, em uma área de mata em Cajamar.
O cadáver estava em estado avançado de decomposição, com sinais de violência e a cabeça raspada, em um crime que gerou grande comoção na região.