Derrotado e investigado, Flavio Bolsonaro deixa o país
Senador não entregou documentos no prazo de 24 horas determinado por Alexandre de Moraes; interlocutores relatam voo rumo à Flórida enquanto defesa e familiares ironizam informação.

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) foram comunicados de que o parlamentar embarcou em voo com destino aos Estados Unidos. O entorno do candidato derrotado nas eleições presidenciais, no entanto, ainda não confirmou o meio de transporte exato utilizado para a sua saída do território nacional.
Segundo o UOL, uma fonte nos Estados Unidos, próxima à administração de Donald Trump e à família Bolsonaro, afirmou estar ciente do deslocamento de Flávio rumo ao país norte-americano, embora não tenha confirmado se o senador já desembarcou ou se a rota incluiu passagem pela Argentina. Questionado oficialmente, o Departamento de Estado norte-americano não se manifestou. Paralelamente, uma segunda fonte residente na Flórida, ligada aos republicanos e aos Bolsonaro, declarou que o senador deve chegar ao estado americano e cogitou que ele possa articular uma espécie de “governo em exílio”. Em Brasília, relatos apontam que uma das filhas do parlamentar despediu-se de colegas de escola informando que viajaria para os Estados Unidos.
Por outro lado, o irmão do senador, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), negou a informação ao ser consultado e tratou o relato com ironia: “Sim. Foi o Elon Musk que mandou o foguete”.
Passaportes cancelados pela Polícia Federal
Diante dos relatos de saída do país, a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático de Flávio Bolsonaro. O senador foi formalmente intimado por volta das 11h de ontem (27) e não realizou a entrega dos documentos no prazo de 24 horas fixado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A corporação vai comunicar oficialmente o magistrado sobre o descumprimento da ordem judicial.
A rota de fuga foi inicialmente divulgada pelo portal argentino Infobae, segundo o qual o parlamentar teria cruzado a fronteira terrestre para a Argentina com seu documento de identidade nacional para embarcar em Puerto Iguazú, na província de Misiones. A matéria citou plano de voo em uma aeronave Gulfstream G400 (matrícula LV-JQW, da empresa Baires Fly S.A.) com trâmites para quatro passageiros e três tripulantes. O avião permaneceu em solo em Puerto Iguazú.
Em vídeo divulgado ontem antes da viagem, Flávio havia rebatido a intimação: “Nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”. Na gravação, o parlamentar alegou que a ordem judicial sob sigilo se apoiava em declarações de Eduardo Bolsonaro sugerindo que ele deixasse o Brasil em caso de derrota nas urnas.
Investigações no STF
Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos criminais em andamento no STF, onde conta com foro especial até fevereiro:
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Financiamento de filme (“Dark Horse”): apura suposta solicitação de recursos ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, para a produção de uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Conforme apuração do The Intercept Brasil, o senador negociou o repasse de ao menos US$ 24 milhões enviados a um fundo nos EUA ligado a Eduardo Bolsonaro. O caso investiga corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro; a defesa sustenta que a produção foi financiada exclusivamente com capital privado lícito.
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Caso Willer Tomaz e fraudes no INSS: inquérito no qual Moraes determinou a apreensão do passaporte. A investigação decorre da apreensão do celular do advogado Willer Tomaz, que revelou movimentações financeiras suspeitas. E-mails obtidos pela PF apontam que Willer e Flávio compartilhavam uma conta no Banco Santander, na qual o senador constava com a credencial de “usuário master” para administração e movimentação conjunta de valores — acusação negada por ambos. Investigações também indicam que Willer comanda a Cathedral Holdings, dona da Rede Loto e da casa de apostas BestBet, empresa da qual Flávio teria atuado como sócio oculto, segundo reportagem da revista Piauí.