sexta-feira, 17 de julho de 2026
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Maria do Amparo Pereira Lopes

Direito e empatia: o olhar humano que falta na Justiça

Neste artigo, a advogada Maria do Amparo explica como humanizar o Direito e enxergar a história por trás de cada processo.

Por Maria do Amparo Pereira Lopes | Atualizado em: 07/11/2025 16:44 Siga-nos no Google News
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A Justiça é frequentemente representada por uma mulher de olhos vendados, segurando uma balança. A venda simboliza a imparcialidade; a balança, o equilíbrio. Mas há um elemento ausente nessa imagem simbólica — o coração. A Justiça deve ser cega para privilégios, mas jamais indiferente à dor humana.

Nos tribunais, nas audiências e nas decisões administrativas, o Direito cumpre sua função técnica de aplicar normas. Contudo, o que muitas vezes se perde é o olhar empático, capaz de compreender que por trás de cada processo há uma história, uma vida, uma pessoa em busca de ser ouvida. A empatia não é um adorno sentimental: é uma virtude jurídica e ética indispensável à efetividade da Justiça.

O operador do Direito, seja juiz, promotor, defensor ou advogado, precisa compreender que a letra fria da lei ganha sentido quando aquecida pela sensibilidade social. Um despacho que reconhece a vulnerabilidade de uma pessoa com deficiência, uma sentença que acolhe uma mãe solo, ou um acordo que respeita as limitações de quem perdeu tudo — todos esses gestos refletem a verdadeira missão do Direito: restaurar a dignidade.

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A empatia não substitui a técnica jurídica, mas a complementa. Ela permite que o profissional enxergue nuances invisíveis nos autos e perceba que, às vezes, o que o cidadão busca não é apenas reparação material, mas reconhecimento moral e respeito. E quando a Justiça é exercida com humanidade, o Direito deixa de ser um instrumento de poder e se torna uma ponte de reconciliação entre o indivíduo e o Estado.

Precisamos de um Judiciário mais acessível, de profissionais mais sensíveis e de políticas que humanizem o sistema. A verdadeira transformação da Justiça não virá apenas das reformas legislativas, mas de uma mudança de postura, de um Direito que escuta antes de julgar, que acolhe antes de punir e que compreende antes de decidir.

Porque, no fim, a Justiça que todos sonhamos é aquela que, mesmo de olhos vendados, enxerga com o coração.

 

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Autor

  • Maria do Amparo Pereira Lopes é advogada e membro da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB Osasco. Mulher com deficiência, natural de Itaueira (PI) e residente em Osasco (SP), é defensora dos direitos humanos, com atuação voltada à inclusão, à cidadania e à justiça social. Desde que chegou a Osasco, acompanha o trabalho do Espaço da Cidadania, onde encontrou inspiração para lutar por uma sociedade mais justa e acessível a todas as pessoas.

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