“Dizer que feminicídio não existe dói”, afirma vereadora de Osasco
A vereadora Elsa Oliveira (Podemos) fez um desabafo sobre o feminicídio durante a sessão da Câmara Municipal de Osasco na terça-feira (6), dois dias após as eleições

A vereadora Elsa Oliveira (Podemos) fez um desabafo sobre o feminicídio durante a sessão da Câmara Municipal de Osasco na terça-feira (6), dois dias após as eleições. Sem citar nominalmente a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL), a parlamentar osasquense criticou a posição defendida publicamente por ela de que ‘feminicídio não existe’.
Em seu discurso, Elsa afirmou que esse tipo de declaração representa uma afronta às mulheres assassinadas no país e em Osasco. A vereadora também mencionou a memória de Amanda e de outras vítimas de feminicídio na cidade.
Elsa questionou ainda a diferença entre os contextos de violência que atingem homens e mulheres.
“Isso é rasgar as estatísticas que dizem que enquanto homens morrem pela violência urbana, mulheres são executadas dentro de casa por quem deveria protegê-las. Então, dizer que feminicídio não existe dói. Dói na alma de uma mãe que perdeu sua filha para o feminicídio.”
Na sequência, a vereadora afirmou que o feminicídio representa o resultado de um ciclo de violência contra a mulher.
“O feminicídio não é uma invenção ideológica, ele é um ponto final de um ciclo de covardia que começa com controle, passa pela ameaça e termina no velório de uma mãe, de uma filha, de uma irmã. Quem nega o feminicídio se torna cúmplice do silêncio que mata”, disse.
Ao concluir o discurso, Elsa afirmou que o problema não deve ser relativizado.
“Não vamos aceitar o negacionismo quando o preço a ser pago é a vida de mulheres”, afirmou.
Declarações ocorreram após eleição de Eduarda Campopiano
Embora não tenha mencionado Eduarda Campopiano pelo nome, o discurso de Elsa ocorreu após a eleição da deputada estadual, que fez declarações públicas questionando a tipificação do feminicídio.
Campopiano, que se autointitula “inimiga das feministas”, afirmou considerar o feminicídio uma “armadilha semântica” e declarou que “nenhuma mulher morre por ser mulher”. As declarações polêmicas também foram registradas em reportagens recentes sobre o posicionamento da deputada eleita.
Eduarda Campopiano (PL) / Reprodução
Aos 23 anos, Eduarda Campopiano foi eleita deputada estadual mais votada de São Paulo, com 1.956.238 votos. Em Osasco, Campopiano recebeu mais de 25 mil votos e ficou atrás apenas de Rogério Lins (Podemos) na votação municipal para o cargo.
Campopiano é natural de Campinas, foi eleita vereadora de Praia Grande em 2024, aos 21 anos, e ganhou grande projeção nas redes sociais. Ela tem pautas conservadoras e alinhadas ao bolsonarismo como marcas de sua atuação política.