Editorial – Facebook e liberdade de expressão
As redes sociais já ganharam crédito por grandes avanços na luta contra ditaduras. Sua natureza livre e, ao menos em tese, sem viés político, são terreno fértil para o acesso à informação e, por consequência, o fortalecimento da democracia.
Mas um episódio ocorrido com a rede social Facebook trouxe à tona também as preocupações com seu potencial nocivo ao mesmos conceitos que até hoje ajudou a fortalecer.
A retirada do ar de uma inofensiva publicação de um perfil humoristico na rede, a Dilma Bolada, administrado pelo carioca Jeferson Monteiro, causou protestos e resultou num pedido de desculpas oficial da rede no Brasil.
O “post” do perfil, uma espécie de caricatura da presidente Dilma Roussef, tecia um comentário jocoso sobre a postura de Aécio Neves, remetendo a uma matéria da Revista Fórum que aponta o governador como réu num julgamento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais por desvio de R$4,3 bilhões da saúde. Foi apagado logo depois de ser publicado.
Diante dos protestos dos seguidores do perfil e das repercussão negativa da história na imprensa, o Facebook devolveu o post à rede e pediu desculpas, culpando um processo automático pela exclusão. Apesar da retratação, o estrago já estava feito, deixando no ar um cheiro desagradável de mofo: a bolorenta censura, o cerceamento da liberdade de expressão.
De fato, o episódio ficará registrado como um caso de falha de um processo automático. E nunca saberemos ao certo se o comentário de Dilma Bolada teria voltado ao ar não fosse pelo enorme barulho que causou.
O que reconforta é saber que os denunciantes que deram causa à exclusão indevida de uma publicação inofensiva deram mais visibilidade ao processo contra Aécio do que ele jamais teria de outra forma.