sábado, 04 de julho de 2026
Publicidade
Home » Geral
Geral

Estudo mostra que atividade física ao longo da vida reduz risco de depressão na terceira idade

Pesquisa com mais de 15 mil pessoas mostra que praticar atividade física regularmente reduz o risco de depressão na velhice. Exercícios moderados já oferecem benefícios importantes para a saúde mental.

Por Aline Ferrari | Atualizado em: 02/07/2026 18:44 Siga-nos no Google News
Publicidade

Praticar atividade física regularmente ao longo da vida pode ser um importante aliado na prevenção da depressão durante o envelhecimento. É o que aponta um estudo internacional que acompanhou mais de 15 mil pessoas com 50 anos ou mais, ao longo de até 12 anos, e concluiu que até mesmo exercícios moderados, realizados poucas vezes por semana, já ajudam a reduzir o risco de sintomas depressivos.

A pesquisa analisou dados de participantes do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA), no Reino Unido, e do Estudo sobre Saúde e Aposentadoria (HRS), nos Estados Unidos. Ambos acompanham adultos mais velhos com avaliações realizadas a cada dois anos, permitindo uma comparação consistente entre diferentes populações.

O estudo teve participação do pesquisador André de Oliveira Werneck, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), e foi publicado no periódico científico Journal of Affective Disorders. A pesquisa contou ainda com apoio da FAPESP e colaboração do King’s College London, no Reino Unido.

Publicidade

Exercícios moderados já fazem diferença

Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram uma metodologia inovadora chamada target trial emulation, que simula um ensaio clínico a partir de dados observacionais. O método permite estimar de forma mais precisa como a prática contínua de atividade física influencia a saúde mental ao longo dos anos, reduzindo fatores que poderiam distorcer os resultados, como renda, doenças pré-existentes e mudanças de hábitos.

Foram avaliados dois cenários: pessoas que realizavam atividade física moderada ou intensa pelo menos duas vezes por semana e aquelas que praticavam ao menos um dia de atividade vigorosa semanalmente.

Os resultados mostraram que, entre os participantes dos Estados Unidos, praticar exercícios moderados duas vezes por semana reduziu em cerca de 12% o risco de desenvolver sintomas depressivos. Entre os ingleses, a redução foi de aproximadamente 13%. Já a prática semanal de atividade vigorosa esteve associada a uma queda de 13% no risco entre os norte-americanos e de 16% entre os britânicos.

Segundo Werneck, os dados mostram que não é necessário realizar exercícios intensos para obter benefícios significativos para a saúde mental. Caminhadas, jardinagem e outras atividades que aumentam moderadamente a frequência cardíaca já são suficientes para contribuir com a prevenção da depressão.

Publicidade

Pequenas mudanças também geram benefícios

Outro destaque da pesquisa é que os benefícios foram observados mesmo em níveis de atividade física inferiores às recomendações tradicionais da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orienta pelo menos 150 minutos semanais de exercícios moderados ou intensos, além de atividades de fortalecimento muscular.

Para os pesquisadores, a mensagem é clara: qualquer quantidade de atividade física é melhor do que permanecer sedentário. Eles defendem que políticas públicas priorizem incentivar pessoas completamente inativas a incorporarem pequenas mudanças na rotina, já que isso pode trazer ganhos importantes para a saúde mental.

Depressão na terceira idade preocupa especialistas

De acordo com a OMS, a depressão afeta mais de 25 milhões de pessoas em todo o mundo e representa um dos principais desafios de saúde pública. Entre os idosos, a doença pode aumentar o risco de mortalidade, agravar enfermidades crônicas, acelerar o declínio cognitivo e elevar a vulnerabilidade ao suicídio.

O professor Brendon Stubbs, do King’s College London e orientador de Werneck durante a pesquisa, destaca que a depressão em idosos ainda é frequentemente confundida com um processo natural do envelhecimento, o que dificulta o diagnóstico e o tratamento.

Publicidade

Segundo ele, atividades como caminhar, pedalar, cuidar do jardim ou realizar exercícios de fortalecimento muscular podem trazer benefícios semelhantes para a saúde mental. O mais importante é escolher uma prática que seja prazerosa, compatível com a condição física de cada pessoa e fácil de manter ao longo do tempo.

Os pesquisadores também ressaltam que a prática coletiva de atividades físicas favorece a interação social, melhora a adesão aos exercícios e potencializa os efeitos positivos sobre o bem-estar emocional.

Para os autores, os resultados reforçam a importância de investir em programas públicos que estimulem hábitos ativos desde a meia-idade e criem ambientes urbanos que favoreçam o movimento, contribuindo para um envelhecimento mais saudável e com melhor qualidade de vida.

Escrito por

Aline Ferrari

Aline Ferrari, estagiária na Redação do Visão Oeste, sob a supervisão da editora Jenifer Oliveira
Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *