Governo Lula muda regras do crédito imobiliário para facilitar acesso da classe média à casa própria
Novo modelo moderniza o uso da poupança para financiamentos e, segundo a Caixa, pode gerar 80 mil novos contratos com juros de até 12% ao ano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (10), em São Paulo, um novo modelo de crédito imobiliário que visa modernizar o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), ampliar a oferta de financiamentos e garantir maior acesso da classe média à casa própria.
A medida foi apresentada como um passo fundamental para a inclusão social e o fortalecimento econômico das famílias. “As coisas acontecem nesse país quando você tem um governo que tem vontade de ouvir e, ao ouvir, tem vontade de fazer as coisas andarem para frente. A necessidade é continuar fazendo política de inclusão social, para que as pessoas subam um degrau a mais na escala social”, afirmou o presidente Lula.
Como funciona a mudança
Até agora, os bancos eram obrigados a direcionar 65% dos depósitos da poupança para o crédito imobiliário. Com o novo modelo, essa obrigatoriedade será extinta após um período de transição, e o volume total depositado na poupança passará a ser a referência para o montante que os bancos devem destinar ao setor, permitindo o uso de outros instrumentos de captação, como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
Segundo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a mudança trará mais estabilidade ao sistema. “Ao liberar recursos da poupança para investir em ativos mais líquidos e usar recursos de mercado para financiar o imobiliário, a gente melhora a estabilidade e também fortalece a potência da política monetária”, explicou.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, complementou que a reformulação foi desenhada para ser segura e sustentável. “O Banco Central apresentou um modelo estrutural de mudança do financiamento, garantindo que todos aqueles penduricalhos da poupança deem lugar a um projeto que vai canalizar o dinheiro mais barato da economia brasileira para a produção da construção civil”, disse Haddad.
Transição e impacto direto
De acordo com o governo federal, a transição para o novo modelo será gradual, com plena vigência a partir de janeiro de 2027. Até lá, o percentual obrigatório de 65% dos recursos da poupança será reduzido de forma escalonada.
O impacto direto da medida foi destacado pelo ministro das Cidades, Jader Filho, que projetou um aumento significativo no número de financiamentos. “Essa é uma alteração histórica no sistema de financiamento habitacional do país. Só a Caixa Econômica Federal vai aumentar em 80 mil novos financiamentos, justos, com juros de até 12% ao ano”, afirmou o ministro, ressaltando que a mudança alcançará famílias que antes estavam fora do alcance das políticas habitacionais.
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