Justiça determina ressarcimento de influencer de Cotia enganada com promessa de vaga no BBB
A candidata pagou R$ 45 mil por uma vaga no BBB 23, mas seu nome não apareceu na lista oficial. A decisão da 2ª Vara Cível de Cotia foi mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
A 31ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a sentença da 2ª Vara Cível de Cotia que condena três mulheres a devolverem R$ 45 mil à influenciadora digital Tamara Blanda Lima Silva, de Cotia. A quantia foi paga sob a promessa de garantir sua entrada no BBB 23, o que nunca aconteceu.
Segundo os autos do processo, Tamara, movida pelo sonho de participar do reality show, foi convencida por uma suposta agenciadora a investir o valor em nome da sua “vaga garantida”. Além das transferências bancárias, ela ainda gastou cerca de R$ 15 mil com tratamentos estéticos, roupas e materiais de divulgação, acreditando que estaria confinada no programa da TV Globo.
A decisão de primeira instância, proferida pelo juiz Rodrigo Aparecido Bueno de Godoy, foi mantida de forma unânime pelos desembargadores Antonio Rigolin (relator), Adilson de Araújo e Luís Fernando Nishi. Para o relator, ficou configurado o dano material, uma vez que o serviço prometido pelas rés não foi cumprido. No entanto, o pedido de indenização por danos morais foi negado, já que, segundo Rigolin, os elementos apresentados não comprovaram que a autora foi intencionalmente enganada ou que houve promessa explícita de seleção para o programa.
O golpe começou em dezembro de 2022, quando Tamara foi apresentada a uma mulher que se identificava como Mia Abreu, mas que na verdade seria Ednalva Alves de Abreu. A influenciadora foi informada de que outra candidata teria desistido e que ela, Tamara, teria o perfil ideal para ocupar a vaga. Após uma série de trocas de mensagens e reuniões presenciais, a jovem acabou realizando um empréstimo bancário e transferindo os valores.
Em sua defesa, Tamara afirmou que foi coagida emocionalmente a fazer o pagamento ao saber que outra candidata estaria disposta a pagar R$ 75 mil pela mesma vaga. Posteriormente, quando não teve seu nome divulgado na lista oficial do programa, procurou Ednalva, que alegou que a participação havia sido “cancelada”. A situação culminou em uma promessa de reembolso ou nova tentativa para o BBB 2024, mas nada foi cumprido.
A influenciadora então ingressou com ação judicial contra Ednalva e também contra Gisele Aparecida dos Santos, suposta dona da agência de talentos envolvida. No processo, Tamara pede um total de R$ 97 mil — sendo R$ 67 mil por prejuízos financeiros e R$ 30 mil por danos morais. Apesar de ter conquistado a restituição parcial de R$ 45 mil, a indenização por dano moral foi negada pela Justiça.
Em seu perfil oficial no Instagram, a influenciadora diz que há envolvimento de vereador de Cotia e esposa no caso, sem, no entanto, citar nomes. Ela cita ainda que há mais processos sobre o caso tramitando na Justiça.