Mãe de vítima de feminicídio emociona público em debate na Câmara de Osasco
Eliane Almeida relembrou o assassinato brutal da filha, Amanda Caroline, durante audiência pública na Câmara Municipal. Encontro reuniu autoridades e cobrou a implementação de uma Delegacia da Mulher 24 horas.
Um depoimento carregado de dor e indignação marcou a audiência pública realizada na Câmara Municipal de Osasco, na noite desta segunda-feira (30). Eliane Almeida foi às lágrimas ao recordar a morte da filha, Amanda Caroline Ribeiro, assassinada pelo ex-marido em maio de 2025. O crime, de extrema crueldade, terminou com o corpo da jovem sendo jogado nas águas do Rio Tietê.
A jovem deixou três filhos. “A Amanda foi retirada da vida com muita brutalidade por não aceitar a separação. Quantas crianças vão ficar sem mães?”, questionou Eliane diante de vereadores e representantes da sociedade civil. Para ela, a solução contra a violência deve começar cedo: “Temos que começar a ensinar na escola o respeito às mulheres”.
O encontro, presidido pelo vereador Batista Comunidade (Avante), discutiu o aumento dos casos de feminicídio na cidade. A mesa também contou com a participação do vereador Heber do JuntOZ (PT), que anunciou uma nova audiência para o dia 27 de abril, focada exclusivamente na necessidade de uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) com funcionamento 24 horas.
Ciclo de violência e sobrevivência
Além do luto de Eliane, a audiência ouviu relatos de quem sobreviveu ao ciclo de abusos. Gilmara narrou 12 anos de agressões físicas, incluindo um episódio em que teve as costelas quebradas por pauladas enquanto segurava o filho no colo. “Quem fica também leva um trauma muito grande”, desabafou, cobrando maior suporte psicológico às vítimas.
Representantes de movimentos sociais, como o coletivo “Vozes que Não se Calam” e o projeto “Luva Rosa”, reforçaram que o feminicídio é o estágio final de uma violência que muitas vezes começa de forma psicológica e patrimonial. A precariedade da rede de proteção atual foi um dos pontos mais criticados pelos presentes.
Ao final do debate, os vereadores Alexandre Capriotti (PL) e Elsa Oliveira (Podemos) enfatizaram que, além de leis rígidas, é necessária uma transformação cultural para desconstruir o machismo.
Em um gesto simbólico de memória e respeito, os parlamentares entregaram rosas brancas aos familiares de sete mulheres vítimas de feminicídio em Osasco, encerrando a noite com um apelo por união e paz.