quarta-feira, 03 de junho de 2026
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Brasil

Moradora de Osasco, mulher “invisível” mostra o drama de viver sem documentos

Stephani Rayane Matos, que mora em Osasco, é uma das milhares de pessoas "invisíveis" no país, que, sem documentos, como certidão de nascimento, RG e CPF, sofrem com a pobreza e a falta de acesso aos serviços públicos.

Por Redação | Atualizado em: 29/06/2020 16:48 Siga-nos no Google News
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O programa “Câmera Record” deste domingo (28) teve como tema a vida de milhares de brasileiros “invisíveis” para o sistema de registro civil do país. Pessoas que não têm nenhum documento, como certidão de nascimento, RG e CPF, e sofrem com a pobreza e a falta de acesso aos serviços públicos. Um dos casos mostrados foi o de Stephani Rayane Matos, que mora em Osasco.

Ela acredita ter 23 ou 24 anos e não sabe nem o dia do aniversário. “Comemoro em uma data que eu mesma ‘fiz’, para poder ter pelo menos uma lembrancinha”, contou, à reportagem da Record TV. Não tem certidão de nascimento, RG e CPF. “Me sinto invisível para a sociedade”.

Stephani explica que, quando nasceu, em uma família muito pobre, foi perdido, em uma enchente, o documento necessário para que ela tirasse a certidão de nascimento. A mãe dela vive reclusa e não sabe explicar o motivo de não ter registrado a filha.

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Quando tinha entre 6 e 8 anos, Stephani fugiu de casa. Acabou se envolvendo com drogas e viveu por cerca de dez anos na cracolândia, em São Paulo, onde chegou a se prostituir para manter o vício.

Ela foi presa com 55 pedras de crack e, no sistema prisional, tem seu único documento oficial até o momento: o número do registro criminal. Foi na cadeia, onde passou dois anos, que ela aprendeu a ler o pouco que sabe, já que nunca frequentou a escola. Quase 6 mil presos no estado não têm nenhum tipo de documento, como RG, CPF e certidão de nascimento.

O marido, que conheceu na cracolândia e com quem superou o vício nas drogas, a ajuda a estudar em casa, em uma comunidade à beira de um córrego em Osasco.

Além do ensino, a falta de documentação dificulta o acesso a tratamento médico. “Se você for para o hospital, não pode passar na consulta, porque pedem seu documento. Eu não vou [ao hospital]. Me curo em casa, vou na farmácia, compro remédio e me curo em casa”, explicou Stephani, à reportagem (assista abaixo).

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Hoje ela busca meios de tirar sua documentação. “Sem meus documentos, não sou nada, não sou ninguém. Com documento, eu sou uma pessoa”.

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