Nossa soberania não está em negociação
Em novo artigo, Gilberto Almazan, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, analisa o impacto da tarifa de 50% imposta pelos EUA, defendendo a soberania nacional e a proteção dos empregos na indústria.
Defender a nossa soberania e nossa independência sempre serão as nossas melhores escolhas, pois são elas que garantem ao nosso país a capacidade de decidir seus próprios caminhos, proteger seus interesses e preservar a dignidade da população. E esta defesa precisa ser constante, principalmente no cenário em que estamos, marcado por pressões externas e tentativas de interferências na nossa política, por meio da economia.
Foi por causa deste tipo de política autoritária e manipuladora que, na semana passada, entrou em vigor a tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros. A medida atinge 35,9% das mercadorias enviadas ao mercado norte-americano, o que representa 4% de todas as exportações do Brasil, segundo informações da Agência Brasil.
Nós, do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, estamos acompanhando de perto toda esta questão, junto às centrais sindicais e ao Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), para avaliar o impacto dessa decisão na economia e, especialmente, nas indústrias metalúrgicas, com destaque para as de Osasco e região. Há expectativa de que o governo brasileiro anuncie um pacote de medidas para preservar e garantir empregos. Será um plano de contingência semelhante ao que ocorreu durante a pandemia da Covid-19.
Embora a tarifa tenha sido de fato implantada, o Brasil conseguiu, por meio de negociação, evitar que 700 produtos sofressem o aumento. Esses itens, como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, incluindo motores, peças e componentes, continuarão pagando 10% de tarifa.
A decisão de não ceder às pressões externas reafirma a importância de defender nossa independência e soberania. Usar taxações como instrumento de intimidação não é política, mas opressão. O Brasil é uma nação independente e seus princípios democráticos não estão em negociação.
Diante desse cenário, o diálogo é essencial para contornar a crise e encontrar soluções que beneficiam a todos. E o movimento sindical tem feito parte dele, para que a classe trabalhadora não seja prejudicada. Seguimos firmes na defesa da nossa autonomia, da preservação dos empregos e na luta por um país justo, soberano e sem anistia.