O Direito como instrumento de esperança
A advogada Maria do Amparo Pereira Lopes, da OAB Osasco, reflete sobre sua trajetória como mulher com deficiência e o papel do Direito como instrumento de inclusão, dignidade e esperança.
Há caminhos que se abrem pela força da lei. Outros, pelo olhar humano de quem transforma normas em acolhimento. E há trajetórias em que ambas as forças se encontram — como na vida daqueles que, mesmo em condição de vulnerabilidade, enxergam no Direito uma ponte para a dignidade.
Falo aqui não apenas como advogada, mas como mulher, cidadã e pessoa com deficiência. Minha formação jurídica não foi apenas uma escolha profissional; foi, antes, uma forma de resistência, uma resposta ao mundo que tantas vezes tenta nos excluir, ignorar ou invisibilizar.
O Direito, em sua essência, deveria ser isso: um instrumento de equidade, um espaço onde todas as vozes, inclusive as mais silenciadas, possam ecoar. Foi nesse espírito que encontrei inspiração em mulheres que, como eu, não aceitaram os limites impostos pela sociedade. Uma dessas mulheres é a querida Dra. Vera Lúcia Leite de Oliveira.
Advogada, mulher com deficiência e atual presidente da Comissão da Pessoa com Deficiência da OAB Osasco, Dra. Vera é uma daquelas pessoas que fazem a diferença sem precisar levantar a voz — sua presença, sua escuta atenta e sua dedicação falam por si. Com generosidade e firmeza, ela tem mostrado que ocupar espaços também é uma forma de abrir caminho para outras pessoas. Sua atuação é exemplo de coragem discreta, mas profundamente transformadora. Ela não apenas representa uma causa; ela vive, defende e semeia inclusão todos os dias.
Por meio de exemplos como o dela, e de tantos outros que silenciosamente fazem do Direito um abrigo e uma arma de transformação, renovo minha convicção de que a esperança é possível. Que a justiça é possível. Que um mundo mais acessível, mais justo e mais humano está ao nosso alcance — se não desistirmos de lutar por ele.
Neste mês de julho, deixo aqui essa reflexão: que o Direito continue sendo mais do que um conjunto de regras — que seja, sobretudo, um instrumento vivo de empatia, equidade e esperança.
“Direito não é privilégio, é possibilidade. É onde o invisível encontra a voz.”