Operação contra fraude em registros de reboques tem como alvo fabricante em Itapecerica da Serra
Investigação desarticula esquema que utilizava documentos de veículos novos para legalizar equipamentos roubados ou furtados; Justiça bloqueou R$ 5,8 milhões.
Uma fabricante de reboques localizada em Itapecerica da Serra é o ponto central de uma investigação que visa desarticular uma organização criminosa envolvida em fraudes de registros veiculares. A Operação Cacique do Asfalto, deflagrada na manhã desta sexta-feira (19/12) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil, revelou um esquema que recolocava no mercado equipamentos roubados ou furtados como se fossem produtos recém-fabricados.
Segundo as investigações do GAECO, o esquema funcionava por meio da utilização de números de chassis legítimos, recebidos pela empresa de Itapecerica da Serra junto à Secretaria Nacional de Trânsito. Em vez de serem usados em veículos próprios, esses registros eram aplicados para “esquentar” reboques e semirreboques de origem ilícita. O grupo suprimia os sinais identificadores originais dos veículos usados para impossibilitar o rastreio da origem criminosa.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra o líder do esquema, seus filhos e outros envolvidos. Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro e bloqueio de bens no valor de R$ 5,8 milhões. Os alvos da ação já possuem antecedentes criminais por diversos delitos e apresentavam movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada.
O esquema começou a ser descoberto após abordagens da Polícia Rodoviária Federal em cinco estados diferentes. Agentes identificaram que veículos registrados como novos pela empresa apresentavam sinais claros de uso e características de outros fabricantes. A ação conjunta entre o MPSP, por meio do GAECO, e as divisões DOPE e DEIC da Polícia Civil, busca punir os crimes de receptação, adulteração de sinal identificador, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.