domingo, 30 de agosto de 2026
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Perda de força muscular pode indicar risco de declínio da mobilidade na velhice

Pesquisa acompanhou mais de 4,5 mil pessoas durante 12 anos e identificou a perda de força como alerta para a mobilidade.

Por Aline Ferrari | Atualizado em: 28/08/2026 17:49 Siga-nos no Google News
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A perda de força muscular ao longo do tempo pode ser um importante sinal de alerta para o declínio da mobilidade na velhice. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da University College London, no Reino Unido, identificou que uma redução de 15% na força muscular já pode antecipar a lentidão na caminhada, mesmo entre pessoas idosas que ainda apresentam níveis considerados adequados.

A pesquisa acompanhou 4.541 pessoas com 60 anos ou mais durante 12 anos. Apoiado pela Fapesp, o estudo analisou a força do aperto de mão e a velocidade da marcha dos participantes, que fazem parte do Estudo Longitudinal Inglês do Envelhecimento (ELSA), uma das maiores pesquisas sobre envelhecimento do mundo.

Os resultados foram publicados em março na revista científica GeroScience e indicam que acompanhar apenas um valor isolado de força pode não ser suficiente. Segundo os pesquisadores, observar a evolução e o ritmo da perda muscular ao longo dos anos pode ajudar a identificar precocemente pessoas com maior risco de perder mobilidade.

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Redução de 15% já pode ser um sinal de alerta

Tradicionalmente, a fraqueza muscular é identificada quando a força de preensão manual fica abaixo de determinados valores, como 27 kg para homens e 16 kg para mulheres.

No entanto, o novo estudo mostrou que mesmo pessoas que permanecem acima desses parâmetros podem apresentar risco de perda de mobilidade quando há uma redução significativa da força ao longo do tempo.

Segundo Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar e coordenador do estudo, a pesquisa propõe uma análise mais individualizada.

“Mesmo os indivíduos que se mantiveram acima do limite mínimo, com a perda de 15% da força entraram num processo que culminou na lentidão da caminhada.”

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A força de preensão manual é utilizada como um indicador da saúde muscular geral. Como a perda de massa e força muscular ocorre em diferentes regiões do corpo durante o envelhecimento, a redução da capacidade de apertar a mão pode funcionar como um sinal de que outros músculos, como os das pernas e do tronco, também estão perdendo força.

Lentidão ao caminhar aumenta riscos para a saúde

Os pesquisadores observaram que os participantes que perderam entre 15% e 20% da força muscular apresentaram uma redução acumulada de 0,189 metro por segundo na velocidade da caminhada durante os 12 anos de acompanhamento.

Já entre aqueles que perderam mais de 20% da força, a redução acumulada foi de 0,144 m/s. Em ambos os grupos, a queda foi maior do que a registrada entre os participantes que conseguiram manter a força relativamente estável.

Embora a diferença possa parecer pequena, a velocidade da marcha é um indicador importante da saúde e da autonomia da pessoa idosa. Velocidades inferiores a 0,8 metro por segundo são consideradas um sinal de lentidão e podem estar associadas a maior risco de quedas, hospitalizações e perda da independência nas atividades do dia a dia.

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A força muscular é considerada um dos pilares da mobilidade. Além dela, fatores como equilíbrio, flexibilidade, ausência de dor e capacidade cardiorrespiratória também influenciam a capacidade de caminhar e realizar movimentos cotidianos.

Acompanhar a evolução pode ajudar na prevenção

Os autores destacam que os valores tradicionais utilizados para identificar a fraqueza muscular continuam sendo importantes na prática clínica. A principal contribuição do estudo, porém, é mostrar que comparar a força atual de uma pessoa com seus próprios resultados anteriores pode permitir a identificação precoce de mudanças.

Dessa forma, uma pessoa idosa pode ainda estar dentro dos valores considerados normais e, mesmo assim, já apresentar uma perda significativa em relação à sua condição anterior.

Segundo o coordenador da pesquisa, identificar essas mudanças com antecedência pode facilitar a adoção de medidas para preservar a mobilidade. Entre as estratégias citadas estão a prática de exercícios de fortalecimento muscular, como a musculação, além de uma alimentação adequada.

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O envelhecimento é um processo natural, mas os pesquisadores reforçam a importância de observar a velocidade com que determinadas mudanças acontecem. Perdas rápidas de força, peso ou alterações no comportamento merecem atenção e podem indicar a necessidade de investigação profissional.

A pesquisa reforça que, para preservar a autonomia durante a velhice, não basta apenas observar se a força muscular está dentro de um valor considerado normal. Acompanhar como ela muda ao longo do tempo pode ser fundamental para identificar precocemente riscos à mobilidade.

Escrito por

Aline Ferrari

Aline Ferrari, estagiária na Redação do Visão Oeste, sob a supervisão da editora Jenifer Oliveira
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