Polícia Civil faz buscas no Velório Municipal de Carapicuíba em ação contra a Máfia dos Caixões
Agentes apreendem computadores e documentos no setor público funerário após depoimento e afastamento de supervisora acusada de liderar fraudes, nepotismo e cobranças indevidas de famílias em luto.

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou hoje (15), uma operação com cumprimento de mandados de busca e apreensão no Velório Municipal de Carapicuíba. A ação aprofunda as investigações sobre a chamada “Máfia dos Caixões”, esquema criminoso suspeito de fraudar o atendimento funerário público, cobrar valores indevidos de famílias em situação de vulnerabilidade e direcionar serviços para funerárias privadas.
Apontada pelas investigações preliminares como a principal articuladora do esquema na estrutura funerária da cidade, uma supervisora prestou depoimento por cerca de uma hora e meia na delegacia. Ela deixou o local escoltada por investigadores da Polícia Civil com o rosto coberto por um capuz, sem responder aos questionamentos da imprensa.
A servidora pública foi oficialmente afastada de suas funções com publicação formalizada no Diário Oficial a partir de 15 de outubro. Além das suspeitas de desvio e cobranças ilícitas, a servidora também é acusada por ex-funcionários de prática de nepotismo, já que ela e o próprio filho mantinham contratos ativos no mesmo departamento da administração municipal.
Antes de ingressarem nas dependências do Velório Municipal, considerado pelos investigadores o epicentro das irregularidades, as equipes da Polícia Civil executaram mandados judiciais de busca na residência da funcionária e nos endereços de parentes ligados a ela.
No prédio do Velório Municipal, os agentes realizam varreduras para recolher computadores, discos rígidos (HDs), aparelhos celulares e pastas de documentos administrativos. O objetivo do delegado responsável é reunir um conjunto probatório robusto para embasar futuros pedidos de mandados de prisão ao Poder Judiciário.
As revelações causaram forte repercussão na Câmara Municipal de Carapicuíba, onde vereadores já foram chamados a prestar esclarecimentos e depor sobre o caso.
Em meio às apurações, multiplicam-se os relatos dolorosos de munícipes que, durante a despedida de parentes falecidos, precisaram entregar pertences pessoais de valor ou organizar “vaquinhas” emergenciais para conseguir pagar por serviços funerários particulares, embora tivessem direito ao atendimento gratuito garantido pelo município.
*Com informações do jornal Primeiro Impacto/SBT