Recebi a Medalha Raposo Tavares, a mais alta honraria da cidade de Osasco
"Quando recebi a notícia de que seria homenageado com a Medalha Antônio Raposo Tavares, concedida pela Câmara Municipal de Osasco, senti mais responsabilidade do que celebração.

Quando recebi a notícia de que seria homenageado com a Medalha Antônio Raposo Tavares, concedida pela Câmara Municipal de Osasco, senti mais responsabilidade do que celebração. Honrarias públicas não chegam como coroação de trajetórias individuais, mas como um gesto coletivo que projeta expectativas e cobra continuidade.
Recebo essa medalha com honra, mas sobretudo com humildade. Não como alguém que concluiu um percurso, e sim como alguém que segue em construção. Cidades não se transformam por feitos isolados, mas por processos longos, muitas vezes silenciosos, que exigem coerência entre discurso, prática e permanência.
O nome que essa medalha carrega não é simples, nem deveria ser. Antônio Raposo Tavares foi um personagem central da formação territorial brasileira. Um homem do seu tempo, ligado às grandes expedições que ajudaram a ampliar fronteiras quando o Brasil ainda se organizava como ideia de nação. Sua história passa por esta região, por Quitaúna, por caminhos que hoje fazem parte da memória de Osasco e da sua inserção no território paulista.
Mas essa mesma história carrega contradições que não podem ser ignoradas. O bandeirantismo também foi instrumento de violência, de conflito e de submissão de povos indígenas. Reconhecer isso não diminui a história, apenas a torna mais honesta. Não há maturidade institucional sem a capacidade de olhar o passado com inteireza, sem recortes convenientes.
Talvez seja exatamente por isso que essa medalha tenha tanto peso simbólico. Ela nos obriga a refletir sobre o significado de desbravar em tempos distintos. No passado, desbravar foi avançar sobre o território. Hoje, desbravar é enfrentar desafios urbanos complexos que persistem nas cidades metropolitanas. É lidar com o déficit habitacional com responsabilidade, planejar o crescimento com visão de longo prazo e compreender que o espaço urbano molda oportunidades, autoestima e destino.
Minha trajetória profissional sempre esteve ligada à reconstrução. De projetos interrompidos, de áreas subutilizadas, de realidades que pareciam condenadas à estagnação. Não por idealismo ingênuo, mas por convicção prática de que o urbano, quando bem pensado, pode ser um instrumento poderoso de inclusão, dignidade e desenvolvimento humano.
Receber uma homenagem que carrega o nome de Raposo Tavares reforça em mim a ideia de que o verdadeiro desbravamento contemporâneo exige outro pacto. Um pacto que substitua a lógica da exclusão pela da integração, e que compreenda crescimento não apenas como expansão física ou econômica, mas como construção social.
Encaro essa medalha como um compromisso renovado com Osasco e com a região Oeste da Grande São Paulo. Um compromisso de seguir trabalhando para que nossas cidades sejam mais humanas, mais equilibradas e mais capazes de oferecer futuro às pessoas que nelas vivem.
Agradeço à Câmara Municipal de Osasco pela homenagem e pela confiança. Recebo esse reconhecimento com respeito às instituições e com a consciência de que o título só faz sentido se vier acompanhado de responsabilidade permanente com a cidade.